Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

100 mil pessoas devem ir aos cemitérios de SP durante o Dia de Finados

Por causa da pandemia, data é para muitos a primeira oportunidade de visitar túmulos desde o ano passado

Ítalo Lo Re e Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2021 | 05h00

O Dia de Finados desta terça-feira, 2, é para muitos a primeira oportunidade de visitar cemitérios desde o início da pandemia. Como no ano passado, quando a vacinação contra covid-19 ainda não havia começado no Brasil, as restrições eram ainda maiores, uma parcela da população não visitou seus familiares e tampouco homenageou entes queridos em seus túmulos. Com a melhora no cenário, há agora uma chance.

A diarista Sônia Regina Generoso Soares da Silva, 58 anos, não foi ao cemitério no ano passado para prestar suas homenagens ao marido, falecido em 2018. "No ano passado, o medo da covid fez a gente não sair. Eu não tinha condições psicológicas. Mas acho muito importante. É um conforto. Não é porque a pessoa passou para o outro lado que ela não precisa ser lembrada", disse.

A costureira Maria Hélia Santana, 65 anos, também não saiu de casa no ano passado. Mas, este ano, está se organizando para fazer uma visita. "Eu costumo ir em dois cemitérios. No (cemitério) da Saudade, onde está minha mãe; e no cemitério Primaveras, em Guarulhos. Desta vez, vou visitar apenas um. Apesar da situação estar melhor, tenho receio de muita aglomeração e transporte público", contou.

A Prefeitura de São Paulo informou, em nota, que a expectativa é de que no Dia de Finados deste ano cerca de 100 mil pessoas dirijam-se até os 22 cemitérios municipais da capital paulista e prestem homenagens aos entes falecidos. Na celebração da data em 2020, quase 84 mil pessoas visitaram os locais.

No início de novembro do ano passado, quando ocorreu o último Dia de Finados, o País contabilizava cerca de 160 mil mortes pela covid-19. Neste ano, após a população ter visto o pior pico da pandemia durante o primeiro semestre, são mais de 600 mil vítimas da doença. O número de vítimas da doença no País, portanto, praticamente quadruplicou em um ano.

Desse modo, mesmo com a melhora no cenário da pandemia nos últimos meses, a Prefeitura reforçou que o público que visitar cemitérios durante o Dia de Finados deverá seguir os protocolos de prevenção à covid-19, “a fim de proteger a saúde dos visitantes e evitar aglomerações”. Segundo a pasta, máscaras e álcool em gel serão disponibilizados em pontos estratégicos das unidades, que funcionarão das 7h às 18h.

No caso dos cemitérios privados, também deve haver aumento nas visitas, mas seguindo alguns cuidados. Cerimonialista no cemitério Parque das Cerejeiras, localizado no Jardim Ângela, Leonardo Calazans conta que o Dia de Finados deste ano será “bastante diferente” na comparação com o ano passado.

A programação contará com soltura de balões, missas e cultos presenciais, plantações de muda e uma série de atividades para receber quem for ao local. “No ano passado, as visitas não foram incentivadas. Agora já está sendo uma realidade bem diferente”, explica o cerimonialista, ressaltando que a estimativa é receber por volta de 5 mil pessoas no local. Para a entrada, será obrigatório o uso de máscaras.

No Dia de Finados do ano passado, a principal ação realizada no Parque dos Cerejeiras, segundo Leonardo, foi uma missa sem público e com transmissão online. Além disso, houve também a criação de um perfil no Instagram destinado a publicar homenagens virtuais, iniciativa que foi motivada por uma campanha do Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep).

A Associação Cemitério dos Protestantes (Acempro), gestora do Cemitério dos Protestantes, do Cemitério do Redentor, do Cemitério da Paz, do Cemitério e Crematório Horto da Paz e do Cemitério de Colônia, divulgou uma programação especial para o Dia dos Finados. Músicos nas alamedas, missas e celebrações ecumêmicas irão acontecer em todos os cemitérios da associação.

‘Dia de Finados não existe por acaso’

Colunista do Estadão, o psiquiatra Daniel Martins de Barros reforça que “o Dia de Finados não existe por acaso”, uma vez que o ser humano tem a necessidade de se cercar de rituais durante a vida, principalmente no que diz respeito a perdas. “(O ritual da perda) ajuda a gente a dar sentido para o que passou e a seguir em frente”, diz o psiquiatra.

Com isso, Daniel explica que a retomada dos rituais, como está sendo feito com o aumento das visitações no Dia de Finados, “é muito importante”. Isso porque, acrescenta, durante pandemias é comum que haja ausência de rituais de despedida, o que “piora o prognóstico do luto” e dificulta a assimilação das mortes.

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