10% dos pacotes para o carnaval já foram cancelados

Associação de Agências de Viagem estima que desistências aumentem; eventos que antecedem a folia não foram realizados

ADRIANA FERRAZ , DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h03

O carnaval ainda não começou, mas os prejuízos já são contabilizados pelo setor de turismo. A greve da polícia provocou, de acordo com estimativa da Associação Brasileira de Agências de Viagem da Bahia (Abav-BA), o cancelamento de pelo menos 10% dos pacotes turísticos vendidos para o feriado. A situação também preocupa o governo do Estado, que voltou a reiterar ontem que o policiamento está "garantido" para o carnaval.

Segundo o presidente da entidade, Pedro Galvão, o porcentual pode aumentar nos próximos dias. "A greve tomou uma proporção muito grande. Muitas reservas ainda nem contabilizadas estão sendo canceladas. Quem não tinha pago pelo pacote, por exemplo, está procurando outros destinos considerados mais seguros hoje. É preciso fazer alguma coisa para reverter isso, e rápido", afirmou.

Galvão, no entanto, diz acreditar que, aconteça o que acontecer, o carnaval não será desmarcado pelo governo. "Está tudo pronto: os camarotes foram montados e os abadás, vendidos. O que pode acontecer é uma redução de público."

A baixa no movimento já é uma realidade. Diversos eventos do chamado pré-carnaval da Bahia - que começa duas semanas antes, normalmente - foram cancelados. O tradicional ensaio do grupo Harmonia do Samba, realizado sempre às segundas-feiras, por exemplo, não ocorreu ontem. De acordo com a produção da banda, a medida foi tomada pensando na segurança.

Nas cidades do litoral sul, até serviços rotineiros do setor de turismo estão ameaçados. Ontem, os policiais militares de Valença, de onde saem as embarcações para destinos turísticos como Morro de São Paulo e Ilha de Boipeba, cruzaram os braços.

"Está bem vazio aqui para a época do ano. Nosso medo é que os barcos de Valença também parem agora com a greve", disse o paulistano Rafael Dubrowski, de 34 anos, dono de uma pousada em Morro de São Paulo.

Em Ilhéus, empresários também se mostram preocupados. "Tem hóspede do Brasil inteiro me perguntando sobre reembolso de reservas. Isso vai quebrar a economia da cidade. Uma categoria que já foi tão valorizada nos últimos anos, que tem uma condição bem melhor que a maioria das famílias da cidade, não poderia fazer isso", afirmou Elton Pacheco de Souza, de 61 anos, dono de três hotéis em Ilhéus e em Porto Seguro.

As críticas também ecoam entre jovens que temem ver mais shows e eventos do pré-carnaval desmarcados ao longo da semana. E os cancelamentos ocorrem todos os dias - em Salvador, o ensaio da banda Psirico, que aconteceria na quinta-feira, também foi adiado.

"A essa altura, já era para ter festa todo dia nos bares, nos quiosques. Se não tiver carnaval, esses policiais vão ser as pessoas mais mal vistas de Ilhéus", disse o estudante Marcelo Quirino, de 16 anos, que ontem não foi à escola por orientação dos pais.

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