1 semana depois, Varginha ainda fala do papa

Comunidade fica com campo sem alambrado; moradores esperam a definição sobre doação

Clarissa Thomé / Rio, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2013 | 02h06

Na tarde de sábado, crianças soltavam pipa no campo de futebol em que o tricampeão mundial Jairzinho mantém escolinha para moradores da Varginha, na zona norte, onde o papa Francisco fez um discurso, na passagem pela cidade. Não devia ser assim, diz o administrador, Cecílio Luiz de Souza.

O campo costumava ficar fechado em dias sem jogos, para poupar o gramado. Mas depois que o muro e alambrados foram derrubados para a entrada de fiéis, na visita do pontífice, no dia 25, não há como controlar o acesso. "A gente ficou muito feliz em receber o papa. Mas estão sendo lentos nisso aí. Prometeram deixar tudo no lugar, mas até agora os homens da prefeitura só vieram aqui uma vez e recolocaram os ferros do alambrado", diz Souza. A preocupação é que a bola caia no Rio Faria Timbó, que corre atrás do gol. "A escolinha está de férias. A previsão era voltar terça-feira (amanhã), mas tem de ter segurança para as crianças", disse.

Dez dias depois, a visita do papa ainda é o tema principal na Varginha - seja para fazer queixas como a de Souza, que esperava para hoje a volta da prefeitura, ou para lembrar os momentos em que Francisco passou ali. Na catequese, as crianças falavam do momento em que ele se dirigiu para abraçá-las. "Foi ele que andou para cima das crianças para abraçar. A gente estava cantando, ninguém ia avançar. Mas ele que quis", conta Gabriela Oliveira, de 11 anos. "Eu só segurei a mão dele, mas meu irmão ficou no colo do papa".

Miguel, que completa 1 ano nesta quarta-feira, ganhou de presente um terço. "Eu fiz uma loucura. No meio da multidão, entreguei meu filho para uma mulher da comitiva do papa e pedi para ela levar o bebê. Ele abençoou meu filhinho", conta Josiane da Silva, de 39 anos, dona de uma sex shop na Mandela 1, favela vizinha. "Ele vai levar esse terço no batizado e na primeira comunhão. Mas não quero que case, não. Quero que o Miguel seja padre."

Dinheiro. Os moradores ainda esperam uma definição da arquidiocese sobre como serão investidos os 20 mil (mais de R$ 60 mil) doados pelo papa. "Acho que deve ser usado na comunidade, não na capela. Pode ser na dragagem do rio, para evitar as enchentes. Já que os governos não fazem, quem sabe o papa?", indaga a catequista Shirleis Araújo, de 47 anos, que viveu na Varginha por 35 anos.

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