1º Festival de Músicos de Metrô acontece até 6ª em 10 estações

Brasileiros e estrangeiros se apresentam em duas sessões diárias, com repertório que vai de MPB a reggae

Marcela Spinosa, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2010 | 00h00

Ana Goes, de 35 anos, é funcionária pública e saxofonista nas horas vagas - ela diz nas horas vagas pois não conseguiu viver da música, como gostaria. Esta semana, porém, está de folga do trabalho para ter seu momento de artista. A turnê começou ontem e o palco são dez estações do Metrô, onde ela e outros 19 artistas, nove brasileiros e 11 estrangeiros, participam até sexta-feira do 1º Festival Internacional de Músicos de Metrô.

O Red Bull Sounderground tem duas sessões diárias: das 11 horas às 13 horas e das 17 horas às 19 horas, com um repertório que vai da MPB ao reggae. Os artistas estrangeiros vieram de vários lugares do mundo: Barcelona, Londres, Cidade do México, Moscou, Berlim, Montreal, Paris e Nova York. O ingresso é o bilhete de metrô, pois os shows acontecem na área interna do metrô.

"Foi irado", definiu Ana depois de se apresentar na Estação Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha. Segundo ela, o melhor de tudo foi a receptividade dos passageiros do Metrô. "Estava apreensiva porque toco saxofone há dois anos, mas depois da primeira salva de palmas relaxei."

Assim como os outros artistas, Ana gravou um vídeo e se inscreveu no site da Red Bull para participar da seleção. Pena Schmidt, superintendente do Auditório Ibirapuera, Danilo Martire Caciavilani, da Coordenadoria de Ação Cultural do Metrô, e Lívio Tragtenberg, fundador da Orquestra de Músicos de Rua de São Paulo, selecionaram os 20 melhores. "Foi difícil. Os músicos são talentosos", diz Marcelo Beraldo, idealizador do festival.

Escola. Entre selecionados está a dupla alemã Mellow & Pyro. Eles tocam juntos há anos e se apresentavam nas ruas e metrôs de Hamburgo e depois de Berlim. Para eles, começar a carreira nas ruas é o melhor aprendizado que um artista pode ter. "É uma escola difícil, mas muito boa, porque você tem de passar uma boa impressão, tem de dar atenção, fazer o show direito. Digo que aprendemos a fazer música e show na rua, no metrô", afirma Mark Mellow, de 36.

Seu parceiro Marco Pyro, de 34, concorda e diz que hoje eles conseguem viver da música. "Gravamos CD, temos nossa marca e foi a rua que nos deu visibilidade", diz o músico.

Quem assistiu à apresentação da dupla ontem, na Estação Brás, também da Linha Vermelha, pediu bis. "Deveria ter sempre. Cultura nunca é demais e é bacana poder conhecer músicos de outros países", disse a estudante Maria da Cruz Pinheiros, de 40.

Serviço

1º FESTIVAL INTERNACIONAL DE MÚSICOS DE METRÔ. ÀS 11H E ÀS 17H, ATÉ QUINTA-FEIRA, NAS ESTAÇÕES ANA ROSA, LUZ E SÉ, DA LINHA 1-AZUL; VILA MADALENA, DA LINHA 2-VERDE; E ANHANGABAÚ, BARRA FUNDA, BRÁS, CORINTHIANS-ITAQUERA, REPÚBLICA E TATUAPÉ, DA LINHA 3-VERMELHA. NA SEXTA-FEIRA, APRESENTAÇÃO FINAL ÀS 17H NA ESTAÇÃO PARAÍSO

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