1 em cada 4 profissionais da área está no RS

Em 1976, Estado foi o primeiro a oferecer residência em Medicina comunitária

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, ADRIANA FERRAZ , O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h06

O médico Marcelo Contreiras é funcionário concursado de São Leopoldo, na Grande Porto Alegre, há 19 anos e optou pela especialização em saúde da família. Às sextas-feiras, faz visitas domiciliares a pacientes do bairro São Miguel. "O que me fascina é o resultado", diz. Duas décadas antes do ingresso de Contreiras, o Rio Grande do Sul já era referência na Estratégia de Saúde da Família (ESF).

Em 1976, o Estado foi o primeiro a oferecer residência em Medicina de Família e Comunidade. O programa federal só surgiu em 1994, ano em que Contreiras optou pela área. Hoje, o Rio Grande do Sul tem a maior concentração de especialistas. São 782 profissionais, segundo a Demografia Médica no País - 24% do total.

A ESF estabelece que cada equipe tenha um médico, um enfermeiro, um dentista e um agente de saúde. A equipe de Contreiras atende, por mês, até 4 mil pessoas. O vínculo com a população é um grande diferencial. "A vantagem é que a gente vê o paciente como um todo e não em partes", diz Contreiras, que, na sexta-feira, atendia Eraclides Ferrão, de 106 anos.

Na casa do paciente, foi recebido com alegria pela família. Ferrão demonstra gratidão e dá uma dica para manter a saúde: "Além do atendimento e dos remédios, tem o sol, a lua e Deus que são curadores". Com Ferrão, está tudo dentro da normalidade. "Vou me aposentar aqui, não há motivos para deixar uma coisa que gosto de fazer", diz o médico.

Ideal. Mônica Artnak há dois anos trabalha como médica da família em Novo Hamburgo, também na Região Metropolitana, e demonstra as mesmas convicções de Contreiras. "Adoro prevenção e gosto de atender a pessoa como um todo, em suas dimensões físicas, mentais e espirituais", explica. "Eu me realizo conversando com as pessoas para entender o que se passa e não só tratar da dor." Ela afirma estar feliz por ouvir relatos da comunidade de que o atendimento é humanizado.

Na unidade de saúde do bairro Kephas, o operário João Luiz dos Santos, de 49 anos, que passou 50 minutos em consulta com Mônica, na tarde de sexta-feira, elogia o trabalho. "Eu faço tratamento há dois anos, sou bem atendido, sempre pela mesma médica, que sabe de todos os meus problemas", conta, ao sair, referindo-se ao acompanhamento da diabete e da hipertensão.

Ele diz que será encaminhado para um traumatologista e um neurologista para problemas que demandam visita a especialistas. "A doutora tem toda a nossa ficha, não precisamos contar tudo de novo a cada nova consulta", disse sua mulher, Norêmia Jahn, de 48 anos, que acompanhou a consulta.

Estrutura. Segundo o secretário da Saúde de Novo Hamburgo, Luís Carlos Bolzan, o município tem 25 equipes do ESF, que cobrem 37% da população de 240 mil habitantes. "O plano é chegar a 70% até dezembro de 2014", diz Bolzan.

A especialização em saúde da família não é exigência para a contratação de médicos, mas torna-se um diferencial. Os aprovados em concurso com a residência ganham adicional sobre o salário de R$ 10,8 mil.

Em São Leopoldo, o secretário da Saúde, Ivo Leuck, informa que as 12 equipes do ESF atendem 20% dos 215 mil habitantes. "O ideal são 54 equipes, mas tecnicamente é possível avançar com umas dez a mais por ano", diz, referindo-se a novas contratações. O município exige que os médicos da ESF tenham especialização em saúde da família.

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