1 em cada 4 latrocínios ocorre dentro de casa

Estudo do DHPP sobre roubos seguidos de morte revela ainda que homens reagem mais aos assaltos e são 79% das vítimas

MARCELO GODOY , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

02 Março 2012 | 03h07

Entre todos os latrocínios (roubos seguidos de morte) ocorridos no ano passado no Estado, 26% foram dentro da casa da vítima e 79% dos mortos eram homens. Os números fazem parte de um estudo inédito divulgado ontem pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que será compartilhado com a PM para que o patrulhamento seja mais eficiente.

O motivo do levantamento é claro. Foram 308 casos em 2011, ante 253 em 2010, um crescimento de 21,74%. E a tendência continua em alta - em janeiro de 2012, já foram 22 casos no Estado, 1 a mais do que no ano anterior.

"O fato de um quarto das mortes em assaltos ter ocorrido dentro de casa chama a atenção, porque é em casa que a pessoa se sente mais protegida", diz o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, que considera o latrocínio o crime "mais preocupante" hoje.

Alguns aspectos tornam mais difícil a investigação dos roubos seguidos de morte. Na quase totalidade dos casos, são pessoas que não têm vínculo umas com as outras. "O autor pode ser qualquer um, assim como a vítima. Imagine isso em uma cidade com 11 milhões de habitantes", diz o titular da 3.ª Delegacia do DHPP, Luiz Fernando Teixeira.

A violência dos ladrões também tem assustado a própria polícia. Para Teixeira, a inexperiência, por exemplo, pode explicar os latrocínios cometidos por menores -13% dos autores têm entre 12 e 17 anos. "Alguns são adolescentes, se atrapalham e acabam atirando por qualquer motivo", disse.

Em janeiro de 2012, a capital teve oficialmente oito casos de latrocínio, embora dois tenham sido registrados em duplicidade, segundo o diretor do DHPP. O índice de esclarecimento dos roubos seguidos de morte é de 48%, maior por exemplo do que o de homicídios, que fica entre 30% e 40% no Estado. "Só consideramos o caso esclarecido com identificação e prisão de autores", diz Carrasco.

Entre os casos registrados está o da morte do taxista Manoel Santos Alves, de 48 anos, O crime aconteceu em 8 de janeiro, na Vila Mazzei, zona norte. A polícia descobriu que Diogo Garcia Monteiro, de 21 anos, era o assassino. Ele pediu para o taxista aguardar, enquanto tentava roubar outro carro com um comparsa. Alves fugiu e foi baleado.

Um detalhe cruel ajudou a polícia a encontrar o ladrão. O bandido tirou foto da vítima morta, ensanguentada, e a exibiu a conhecidos para se gabar do feito. Foi isso que causou indignação nas pessoas que viram e o delataram.

Outro caso, também na zona norte, foi o do policial militar Mateus da Silva Cruz, de 28 anos. Ele pilotava sua moto na Vila Jaguara, quando foi atacado por Rafael Clarindo Silva, de 23, Vinicius Moreto Ramos, de 21, e Ubiratan José da Silva, de 22. E acabou sendo morto. O crime aconteceu em 25 de janeiro. Ubiratan segue foragido.

Preocupação. O aumento nos latrocínios levou a Secretaria de Segurança Pública a transformar a 3.ª Delegacia do DHPP em especializada nesse crime -anteriormente, investigava apenas chacinas. "Delegacia do bairro é clínica geral, atende tudo. A especializada torna a investigação mais eficaz", diz Carrasco,

Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro, aumentar o número de latrocínios solucionados é o motivo do foco nos latrocínios. Delegados também defendem endurecimento na legislação, como diminuição da maioridade penal, como forma de reduzir esse tipo de crime.

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