Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Trânsito em SP ficou acima da média na manhã do 1º dia útil após viaduto que cedeu na Marginal

Prefeitura esperava lentidão 30% acima da média histórica, mas segundo Covas trânsito foi 25% superior ao normal

Ana Paula Niederauer, Jéssica Otoboni, Juliana Diógenes e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2018 | 06h13
Atualizado 21 de novembro de 2018 | 14h51

SÃO PAULO - A manhã do primeiro dia útil após o feriado prolongado da Proclamação da República e da Consciência Negra exigiu paciência dos motoristas da capital paulista nesta quarta-feira, 21, em razão da interdição de um trecho da Marginal Pinheiros após um viaduto da pista expressa ceder no dia 15.

No primeiro dia de trânsito normal após um viaduto ter cedido na Marginal do Pinheiros, na zona oeste, a lentidão nas vias da cidade de São Paulo esteve acima da média desde as primeiras horas da manhã. Às 7h30, o congestionamento era de 112 quilômetros nas vias da capital. A média de engarrafamento para o horário é de 81 quilômetros.

Segundo a Companhia de Engenharia do Tráfego (CET), às 8h30 a capital chegou à marca de 141 quilômetros de engarrafamento - ou 16,3% de retenção. A média  superior da capital foi de 13,8% para o horário.

O recorde de congestionamento de São Paulo se deu no dia 6 de agosto, às 9h30: 208 quilômetros. A causa foi uma combinação de mau tempo provocado pelas chuvas e a volta às aulas de colégios e faculdades.  Por volta das 8h44, a cidade registrava 177 km de lentidão, sendo a zona sul a mais congestionada.

Já o maior valor da história ocorreu no dia 23 de maio de 2012, quando foram regiatrados 249 km às 10 horas. A lentidão foi consequência de uma greve dos metroviários

"O trânsito hoje na cidade de São Paulo está 20% acima do limite da média histórica. Nossa expectativa era que ficasse em 30% e não chegou", disse o prefeito Bruno Covas, que monitora a situação na sede da CET. Nesta quarta, ele voltou a dizer que não há prazo para conclusão das obras do viaduto.

Para Covas, o trabalho dos técnicos da CET e da Secretaria dos Transportes nos últimos dias e a colaboração da população contribuem para a minimização dos efeitos da interdição no primeiro dia útil após o feriado prolongado.

"A gente acredita que há duas razões principais para isso: o trabalho que os técnicos da CET e da Secretaria de Transportes fizeram ao longo desses dias. Eram previstas 10 intervenções e já foran feitas quatro, o que permitiu liberar 20 para 10 quilômetros da pista expressa da Marginal. E também a colaboração da população", afirma Covas.

O possível congestionamento na cidade fez alguns motoristas saírem mais cedo de casa. É o caso da esteticista Carla Capobianchi que saiu às 7h30 de Pirituba, zona norte, e chegou às 9h na Vila Madalena.

"Saí mais cedo de casa por causa do trânsito que poderia ficar um caos. Normalmente faço esse trajeto em 40 minutos mas levei mais tempo que o normal.  A Marginal Tietê estava impossível e por isso acabei utilizando as vias por dentro dos bairros", explicou Carla.

 

'Dentro do esperado'

O secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, afirmou que o trânsito acima da média era esperado. "Não há nenhum ponto fora da curva", disse. 

"Está dentro do esperado, a gente tinha expectativa (de trânsito acima da média) nesse horário de pico da manhã, até que as pessoas entendessem as restrições", afirmou. Octaviano monitora da sede da CET o fluxo em São Paulo nesta quarta.

Segundo o secretário, a Prefeitura investiu em quatro acessos da pista expressa para a local da Marginal do Pinheiros desde que o viaduto cedeu na semana passada. Entre eles, o acesso na altura do CDP de Pinheiros passou de uma para duas faixas. "É para criar alternativas de saída da pista expressa para a pista local. São poucas e estreitas, então nós estamos aumentando o número e a largura."

Outras três intervenções devem ser feitas "em regime de emergência", segundo Octaviano. São elas os acessos na altura Ponte Edson de Godoy Bueno (a antiga Itapaiuna), na Juscelino Kubitscheck e na Ponte Cidade Universitária.

O secretário afirma que os acessos devem estar funcionando em até três semanas. "São obras físicas, tem o tempo de cortar e fazer o preparo do solo para receber a pista de rolamento."

Equipes da CET orientam motoristas na altura da Ponte Estaiada e na Eusébio Matoso. "Estamos monitorando a rota alternativa através da Fonseca Rodrigues, Gastão Vidigal, na própria Pedroso e na Faria Lima. Por enquanto, está se comportando bem."

Teste

Hoje é o primeiro teste do esquema montado para desafogar o trânsito na região onde o viaduto cedeu, na altura do Parque Villa-Lobos. A expectativa é que haja lentidão acima da média nas zonas sul e oeste, e até 500 mil pessoas poderão ser afetadas, segundo especialistas em trânsito. 

Na segunda-feira, a Prefeitura liberou dois trechos, que somam dez quilômetros, da pista expressa da Marginal do Pinheiros, e suspendeu o rodízio no trecho entre a Avenida dos Bandeirantes e a Ponte dos Remédios para que os motoristas possam buscar caminhos alternativos no horário de pico. Ainda não há uma estimativa oficial sobre quanto tempo durará o bloqueio, mas um especialista ouvido pelo Estado acredita que ao menos três meses serão necessários.

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