Leonardo Soares/AE
Leonardo Soares/AE

1 ano depois da tragédia, festa volta a São Luiz

Em companhia dos bonecões, moradores e turistas comemoraram título do Iphan

Gerson Monteiro, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2010 | 00h00

Bandas tocando tradicionais marchinhas de carnaval, centro histórico tomado pela multidão, bonecos gigantes alegrando turistas e moradores, manifestações religiosas da Festa do Divino. Tudo isso em um só dia em São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba. A festa deste domingo celebrou a preservação da cidade como patrimônio brasileiro e atraiu centenas de pessoas ao circuito cultural organizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foi a maior desde a destruição da cidade pelas enchentes no verão passado.

No mercado municipal, um dos símbolos da cidade que ficou totalmente submerso e foi o primeiro patrimônio a ser restaurado, centenas de pessoas acompanharam apresentações de moçambique e congada. Houve comemoração também em outras ruas do centro histórico.

"Perdi tudo, fiquei dois meses morando na casa de parentes, senti muita falta dessa gente", resumiu a aposentada Maria Maia, que acompanhou um dos trajetos do cortejo cultural da janela de casa, apontando para a multidão que deixava o mercado seguindo uma das bandas.

Como ela, muita gente comentava sobre a felicidade de ver São Luiz se reerguendo. "Foi necessário a cidade quase acabar para ver tudo o que temos", desabafou o diretor de turismo da cidade, Eduardo de Oliveira Coelho. "Muitos foram embora, muitos pensaram em sair, mas também muitos ficaram", anunciava o artista no palco ao cantar a música Gente Caipira.

Entre os participantes havia gente como a funcionária pública Maria Menilda de Almeida, que ainda aguarda autorização das autoridades para reformar sua casa próxima do mercado - área totalmente coberta pelas águas de janeiro. "Ainda estamos morando em outra casa, na zona rural", lamenta.

Tombamento. A área de São Luiz declarada como patrimônio cultural brasileiro abrange o centro histórico e o visual das montanhas da Serra do Mar. São mais de 6,5 milhões de metros quadrados.

Segundo o Iphan, o prejuízo da enchente de janeiro foi de R$ 100 milhões. O Governo Federal repassou R$ 10 milhões para escoramento de imóveis, limpeza da cidade, restauro de santos e preparação de inventário para tombamento. O Iphan também anunciou a reforma geral da Igreja do Rosário, que serviu de ponto de distribuição das doações aos atingidos pela enchente, reforma do Centro Cultural Oswaldo Cruz e instalação de fiação subterrânea no centro histórico.

Outra medida que deve estimular a reconstrução da cidade será a retomada do tradicional carnaval de marchinhas da cidade, prejudicado neste ano. Estão sendo esperadas 10 mil pessoas para a festa de 2011, que terá entrada limitada de carros na cidade e espaço para apresentação de bandas. "Foi muito triste ver a cidade destruída, mas agora está tudo se normalizando. Quero ver tudo cheio novamente", comentou o metalúrgico José Pereira de Moura Júnior, que espera embolsar R$ 6 mil com o aluguel do andar inferior de sua casa no carnaval.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.