1 ano de paz no Alemão. Mas ainda com mortes

Apesar da redução de 49% nos roubos de veículos e 50% nos autos de resistência, houve 43 assassinatos no período - ante 50 no ano anterior

ALFREDO JUNQUEIRA / RIO, O Estado de S.Paulo

27 Novembro 2011 | 03h03

A ocupação militar no Complexo do Alemão completa um ano na terça-feira. E fez toda a região registrar quedas nos índices de criminalidade no período, segundo o Instituto de Segurança Pública.

Dados da 22.ª Delegacia de Polícia (Penha), que cobre 90% do território do conjunto de favelas, mostram que os roubos de veículos sofreram redução de 49,1% e os autos de resistência (morte cometida por policial em confronto), de 50%. A queda no número de homicídios, no entanto, foi tímida e ainda preocupa. Entre 28 de novembro de 2009 e 27 de novembro de 2010, véspera da ocupação do complexo, foram registrados 50 homicídios. Da tomada das 14 favelas até a última quarta-feira, foram 43.

Atualmente, 1.800 homens da 4.ª Brigada de Infantaria Motorizada do Exército, que tem sede em Juiz de Fora (MG), e mais 250 policiais militares e civis do Rio são responsáveis pelo processo de pacificação. O acordo entre os governos do Estado e federal que permite a permanência dos militares na região já foi renovado duas vezes e vai até o meio do ano que vem.

A presença das tropas não impede, no entanto, a ocorrência de episódios de violência armada. Na sexta-feira, no Morro da Caixa d'Água, por exemplo, uma troca de tiros entre traficantes remanescentes e integrantes da Força de Pacificação provocou ferimentos em um militar. Moradores também se queixam de abuso por parte de militares. Em setembro, houve um confronto entre frequentadores de um bar na Favela da Grota e uma patrulha do Exército.

Diferenças. De sua laje, o comerciante Romário Moura de Souza, de 23 anos, que conseguiu legalizar seu negócio após a ocupação, consegue ver quase todo o complexo, incluindo a movimentação das patrulhas da Força de Pacificação, a antiga base dos traficantes no Areal e as cinco estações do teleférico. E aponta uma diferença entre os período pré e pós-pacificação. "Quem roubava na comunidade apanhava ou morria na mão do movimento (dos traficantes). Hoje o pessoal está mais folgado, tem havido muito furto. E a gente vai fazer o quê? Reclamar com o Exército?", pergunta.

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