Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

1 ano de bônus da água rende o equivalente a uma Guarapiranga

Sucesso do plano da Sabesp foi obtido graças aos condomínios residenciais; no mês passado, 94% deles reduziram o consumo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

11 de maio de 2015 | 05h00

SÃO PAULO - Um ano após ter sido ampliado para a Grande São Paulo, o programa de bônus da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) resultou em uma economia de água equivalente à capacidade atual do Sistema Guarapiranga. Foram 139 bilhões de litros poupados desde maio de 2014, segundo dados da estatal, mesmo volume disponível na represa paulistana no início deste mês.

O programa que dá desconto de até 30% na conta para quem reduzir o consumo de água em ao menos 20% começou em fevereiro do ano passado apenas na região atendida pelo Sistema Cantareira. Segundo dados da Sabesp, o consumo de água per capita na Grande São Paulo caiu de 155 litros para 118 litros por dia, perto do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU) - 110 litros.

Março e abril deste ano registraram a maior economia considerada espontânea pela Sabesp. Foram 16 bilhões de litros poupados. Considerando os resultados do bônus nos meses em que só vigorou na região do Cantareira, a economia total salta para 146 bilhões de litros, quase 15% da capacidade do manancial em crise.

A gerente de Relacionamento com os Clientes da Sabesp, Samanta Souza, destaca que o resultado só foi possível graças à adesão dos condomínios residenciais, considerados os vilões do desperdício no início da crise. Em abril, 94% dos condomínios reduziram o consumo, proporção maior do que a registrada hoje em toda Grande São Paulo: 82%. No início, a parcela de prédios que reduziu o gasto não superava os 68%, ante uma adesão total de 76% à época.

“Nosso grande calcanhar de Aquiles eram os condomínios residenciais. Por isso fizemos campanhas específicas para esses clientes, parcerias com sindicatos e administradoras, mandamos cartas direcionadas explicando a situação. Treinamos 7 mil síndicos para fazerem testes para detectar vazamentos e distribuímos 7,2 milhões de kits redutores de pressão para torneiras”, afirma Samanta.


Obsessão. A caça aos vazamentos virou uma obsessão para o síndico Marcelo Alves, de 45 anos, responsável por um condomínio com 70 mil m² e 3 mil moradores em Taboão. Ele criou um programa de bônus salarial para estimular os funcionários a identificarem fontes de desperdício de água e engajou os moradores. “Em um ano, nós economizamos 19,6 milhões de litros e R$ 134 mil. Com esse dinheiro, eu aumentei o salário da equipe e consegui fazer obras sem custo adicional para os moradores.”

Gerente de Marketing da Lello Condomínios, que administra 1,6 mil prédios na Grande São Paulo, Angélica Arbex lembra que a parte mais difícil foi conscientizar os condôminos que não controlavam o consumo de água pela ausência de hidrômetros individualizados nos apartamentos. “Fizemos campanha maciça com os condôminos e foi aí que conseguimos ganhar o jogo", afirma.

“Criamos campanhas importantes e agora o resultado está aí. Aquilo que era um sacrífico para os condôminos no início, já está incutido na rotina hoje”, afirma o presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Rubens Carmo Elias Filho. Segundo a Sabesp, o grupo de clientes residenciais, incluindo casas e apartamentos, foi responsável por 82% dos 16 bilhões de litros economizados em abril.

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