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1 ano após ação na Luz, sai clínica para viciado

Centro de tratamento para dependentes do crack vai funcionar em Heliópolis, zona sul

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Recuperação. Responsável pela biblioteca da clínica, Marcelo Gomes é um dos pacientes          

 

 

 

 

Um ano após colocar agentes de saúde nas ruas da cracolândia, no centro de São Paulo, a Prefeitura inaugura hoje uma clínica para dependentes da região. Serão 80 leitos para internações de 30 dias a três meses. O Serviço de Atenção Integrada ao Dependente (Said), que funciona em Heliópolis, na zona sul, a 13 quilômetros da região central, tem quadra, biblioteca, sala de internet, aulas de teatro e psicólogos.

Até hoje, usuários de drogas que aceitavam tratamento médico eram encaminhados para hospitais comuns da rede municipal ou para leitos alugados pela Prefeitura em três comunidades terapêuticas. A adesão ao programa foi baixa. Desde agosto do ano passado, 100.864 pessoas "em situação de rua" foram abordadas pelos agentes na região, das quais apenas 492 aceitaram a internação, ou 0,48% do total.

Com a clínica, a Secretaria Municipal da Saúde diz apostar em um novo modelo para tornar eficaz o tratamento público oferecido aos dependentes de crack. Nela, a pasta pretende desenvolver um método americano com acompanhamento médico integrado ao lazer e às aulas em oficinas temáticas. Gerenciado pelo Hospital Samaritano ao custo de R$ 1,5 milhão ao mês, o serviço funciona desde fevereiro em caráter experimental, com 20 leitos. Mais 60 serão abertos hoje.

Os pacientes serão encaminhados por dois serviços que já atendem usuários de drogas no centro, a Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Boraceia e pelo Centro de Apoio Psicossocial (Caps) da Sé.

Autoestima. "O dependente precisa de um lugar onde tenha como resgatar a autoestima. E um local onde encontre motivos para permanecer. Por isso, queremos usar o futebol, o teatro, a música. Precisamos ser mais atraentes que os traficantes, e isso nós não conseguimos ainda", diz o coordenador do projeto, Reinaldo Antonio de Carvalho.

Antes, muitos usuários voltaram às ruas um dia depois da internação. "Quando o paciente estiver na fissura de usar a droga e quiser sair, vamos tentar enumerar motivos para ele ficar. E fica mais fácil em um lugar com aula de futebol, sala de TV, internet e quarto limpo", diz Rosângela Elias, coordenadora da Prefeitura na operação da cracolândia.

Um dos 16 pacientes do Said na segunda-feira era o ex-policial militar Marcelo Gomes, de 42 anos. "Assim que cheguei, fui cuidar da biblioteca e do aluguel dos livros. Fui me apegando aos livros, eles são minha família hoje." A mãe mora em Jundiaí, no interior. "Não a vejo há três anos. Tenho muita vergonha. Fiz minha família sofrer muito."

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