1,1 mil vagões serão retirados de 'cemitérios'

ALL vai reciclar ou revender os equipamentos abandonados; alguns têm 90 anos de uso

JOSÉ MARIA TOMAZELA , SOROCABA, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 03h01

Cerca de 1,1 mil vagões abandonados nos "cemitérios de trens" que se espalham pelo Estado de São Paulo começam a ganhar um novo destino a partir da semana que vem. A América Latina Logística (ALL) firmou termo de compromisso com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para recuperar ou desmontar a frota imobilizada ao longo das ferrovias paulistas.

O acordo ocorreu em um momento em que a Justiça fecha o cerco contra os cemitérios de trens. Na última segunda-feira, a juíza Vanessa Velloso Silva, da 1.ª Vara Cível de Boituva, deu prazo de 15 dias para que a ALL remova 200 vagões abandonados no entorno da estação ferroviária de Iperó, a 122 km de São Paulo. No despacho, ela fixou multa de R$ 100 por dia em caso de descumprimento.

A ação foi movida pela prefeitura sob a alegação de que o depósito de vagões sucateados causa risco à segurança e à saúde da população. A prefeitura informou ter recorrido à Justiça após tentar por mais de cinco anos um acordo com a empresa.

A explicação para a demora, segundo o diretor de Relações Corporativas e de Patrimônio da ALL, Pedro Almeida, está relacionada à forma de transferência da malha paulista à iniciativa privada em 2006. Como isso foi feito por meio de concessão e arrendamento, houve necessidade de atender a questionamentos do Ministério Público sobre a forma de dispor desse patrimônio. Naquela época, haviam quase 3 mil vagões sem condições de operar. "Iniciamos um processo forte de recuperação, mas havia um rito administrativo a ser cumprido", explica Almeida.

Segundo o diretor, a idade média dos vagões remanescentes é de 45 anos, o que restringe o reaproveitamento. "Encontramos até vagões com 90 anos de uso." Outro agravante é a capacidade de carga. Trens mais antigos têm baixa capacidade - a média é de 45 toneladas. Os atuais transportam até 150 toneladas. "O pessoal técnico vai avaliar e dizer o que pode ser feito com cada um deles. Em muitos casos, será aproveitada apenas a estrutura de rodagem."

A ALL espera reformar e reaproveitar de 30% a 40% dos vagões. O restante será vendido como sucata. Só para fazer o inventário, a empresa investiu R$ 2 milhões. Após a remoção dos vagões a serem recuperados, uma empresa contratada vai se incumbir da venda da sucata. O diretor da empresa garante que, em um prazo de três meses, os cemitérios de trens estarão "com uma nova cara".

Além do pátio de Iperó, onde os moradores locais são obrigados a transitar pelo cemitério de trens para chegar ao centro da cidade, será dada prioridade para a remoção de 32 vagões sucateados na Área de Proteção Ambiental Municipal Capivari-Monos, em Marsilac, no extremo sul de São Paulo, segundo mostrou, em agosto, reportagem do Estado.

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