Vida real e o Coronavírus

Vida real e o Coronavírus

Angélica Arbex

13 de março de 2020 | 13h06

fonte: freepik

Condomínios são por definição espaços co. Coletivos, colaborativos, espaços de conviver. Nesses novos tempos onde conviver está proibido, o que fazer?

Hoje recebi um vídeo da Turma da Mônica: – “sem beijinho, sem abraço, sem aperto de mão”. Achei horroroso, de mau gosto, triste na verdade. Especialmente porque é uma mensagem dirigida às crianças. A gente fala a vida toda “diga oi, dá um beijo na tia, cadê o meu abraço?” e de repente vem alguém e ensina a não fazer nada disso e reforçando que ao fazer isso a criança se protege de alguma coisa. Oi?

As crianças não têm o menor discernimento do que é uma pandemia e das consequências disso no tempo. Abraçar é errado, então é errado!  Será que o pânico ou a proibição é uma alternativa possível para que elas e nós também lidemos com isso? Com a falta de clareza do que está acontecendo, sobra pânico.

Até onde já pudemos observar, o coronavírus se espalha com muita facilidade, maior até que a gripe. Mas tem uma taxa de letalidade menor. Menor que a gripe, menor que a dengue, menor que o sarampo. Claro que tem que cuidar, mas é preciso ter calma. O áudio famoso desta semana do Dr Jatene, que alardeou muitos de nós, trata a questão sob a ótica médica de quem precisa analisar todos os cenários e preparar o sistema de saúde para o pior deles.

Para os condomínios que têm pedido orientação aprofundada do que fazer, continuo apostando na informação:

– O vírus se espalha rápido;

– A taxa de letalidade é baixa;

– Preocupa mais as pessoas acima de 65 anos que têm menos energia vital de defesa;

– Crianças não têm registros de complicação no mundo;

– Uma grande parte das pessoas com o vírus não desenvolve ou desenvolverá sintomas;

– A melhor prevenção é manter as mãos sempre limpas;

– Sempre que possível evitar ambientes fechados com grande concentração de pessoas;

– Reuniões podem ser por vídeo. Assembleias do Condomínio, melhor fazer digital;

– Só use máscaras se você estiver doente, a compra de máscaras por todos faz com que os estoques acabem rapidamente e aí quem precisa fica sem;

– Só procure atendimento médico no caso de estar com sintomas da doença.

Volto para as crianças porque elas são o maior desafio  nos condomínios. Crianças convivem e ponto final. Convivem com iguais, com diferentes, brincam! E o “brincar lá embaixo” têm sido a saída de muitas famílias incluindo a minha, para tirar os filhos da tela do smartphone, tablet, videogame. Pega pega, futebol, queimada, parquinho? Não! Melhor ficar em casa, assim você não pega ou transmite coronavírus?! Eu não vou fazer isso com os meus filhos, por aqui o brincar lá embaixo em espaços abertos e seguindo as orientações de higiene segue garantido. E os abraços vamos combinar de trocar por sorrisos.

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