Um domingo, um condomínio, duas festas

Um domingo, um condomínio, duas festas

Angélica Arbex

02 Fevereiro 2016 | 08h57

fonte: freepik

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De todos os desafios presentes da vida em condomínio, talvez o mais complicado seja  garantir que todos os condôminos cumpram as mesmas regras e, claro, tenham os mesmos direitos. Esse equilíbrio é muito difícil, e, no conflito, todo mundo mira para o síndico e fica perguntando quem é que tem razão.

Esse final de semana estive em um condomínio de alto padrão em uma festa. Só que, neste dia, não tinha uma, e sim duas festas acontecendo em espaços diferentes, mas no mesmo horário. Espaços diferentes, finalidades parecidas… Conflito!

Veja se você  identifica: -“quando fiz festa naquele outro salão, não pude alugar brinquedo nenhum… Agora para esse outro pessoal, tudo pode. Vou fotografar, reclamar com o síndico. ”

Do lado de lá:-“o parquinho é para uso só dos condôminos, os convidados da festa têm que brincar no espaço do salão. Quem se responsabiliza se um convidado quebrar um copo na área do parquinho? Vou fotografar, levar na administração”.

Nesses casos, o que menos importa é a razão. Como é difícil equilibrar a convivência! Só nesse episódio a gente tem a festa um, a festa dois, os condôminos que não estavam na festa mas que queriam usar a quadra, o parquinho e os vizinhos dos andares mais baixos que só queriam que as festas terminassem para não ouvir mais barulho.

Do outro lado, tem o síndico que precisa ser maestro, juiz, conciliador sem que ninguém tenha dito isso a ele no momento que ele levantou a mão e se candidatou ao cargo. E qualquer concessão para este ou para aquele lado, pronto, o equilíbrio da convivência descamba.

Isso não tem nada ver com educação, com poder aquisitivo ou personalidade. Eu, você, qualquer pessoa quer ocupar seu espaço, levar a vida da maneira que entende correto. As pessoas que estavam nas festinhas esse fim de semana, eram todas super do bem, e nem por isso deixaram de levantar a questão central que rege a convivência em condomínio: o que vale para um, tem que valer para todos.

Claro, que os instrumentos que regulam o uso do espaço são conhecidos e  ajudam o síndico tornar a convivência mais tranquila. Todo condomínio tem um regulamento interno com as regras para uso dos espaços, a legislação prevê advertências e multas para corrigir desvios. Mas será que é assim mesmo que a gente precisa viver em condomínio?

A gente precisa recorrer ao síndico com acusações, defesas e pedidos de justiça? Será que precisa mesmo de justiça? Por que no fim deste domingo, as duas festas deram certo, os convidados se divertiram, os condôminos que não estavam nas festas brincaram no parquinho e o barulho logo acabou dando descanso pro pessoal do 11, 21, 31 … Teve gente que ficou até mais feliz, porque fez novas amizades na quadra e assim,  o jogo de futebol ficou ainda mais divertido.