Tins e bens e tais

Tins e bens e tais

Angélica Arbex

30 de novembro de 2019 | 09h13

Hoje, 30 de novembro, comemora-se o dia do Síndico no Brasil. E por conta disso, durante toda essa semana participei de vários debates sobre as motivações para alguém se tornar síndico, o papel do síndico, o que faz de alguém um síndico ótimo. E muito foi discutido… A agressividade doida da vida na cidade que se não rouba coisas materiais, rouba tempo, o tempo todo. As inovações que não param de chegar, necessárias, indispensáveis e … angustiantes. Algoritmos, manutenções preditivas, inteligência artificial, controle de acesso das mais diversas formas. E ainda aquela velha e indissociável responsabilidade civil e criminal por tudo que acontece no condomínio.

Pois é, do mesmo jeito que em uma manhã eu estava falando de algoritmos que incessantes vão dando pistas ao síndico onde encontrar oportunidades de economia; de tarde estava respondendo e se houver um acidente, uma morte no prédio, é o síndico que responde por isso, no limite, até com a sua liberdade? Quando a gente vai morar em condomínio, nunca pensa sobre isso. Sobre o claro papel do Síndico e de quão é fundamental que ele exerça bem esse papel para que tudo vá bem e a gente consiga ser mais feliz e estar mais seguro dentro de casa.

Nada mais justo então, que um dia para comemorar e ao comemorar poder falar disso! Mas então o que faz de alguém ser um síndico ótimo? Nem quero falar aqui das motivações que fazem um morador querer ser síndico, são inúmeras e a maioria delas de cunho pessoal. Mas já eleito, como faz para que aqueles 2 anos, que podem se tornar 10 ou mais valham a pena?

Imagino que os síndicos vivam a angústia dos executivos e médicos e de todo o mundo corporativo contemporâneo. Porque mente quem diz que não está angustiado com esse mundo que muda tão rápido. Quando entendemos o twitter, já tem um monte de gente produzindo conteúdo em podcast. Falamos com os robôs nos sites e de repente já começamos a receber anúncios no instagram  de uma escola pros filhos que foi só comentada no jantar de ontem(já aconteceu com vocês?). Planejamos a viagem pro Vale do Silício e já vem gente superespecialista de Israel. E a China? No último SXSW só se falou que a China vai dominar (já domina, né?) o mundo da tecnologia. E agora será que preciso aprender mandarim?

Voltando aos prédios e aos síndicos tenho descoberto com muitos deles (excepcionais) que fazem coisas absolutamente incríveis, que a grande diferença entre um síndico bom e um ótimo está na percepção que não se faz nada sozinho. Parece um conceito super velho, né? Comece a prestar a atenção no seu prédio. O síndico que já entendeu que seu papel é formar uma comunidade não só com o seu condomínio, mas também com o seu entorno está fazendo a diferença.

Tornar o lugar que se vive melhor depende de muitos fatores e de muita gente. A capacidade de conviver, de trocar, de descobrir sem pré conceitos que construir esse jeito novo de viver na cidade, onde pessoas que não se escolheram aprendem a conviver bem juntas, faz a diferença entre um síndico bom e um ótimo.

O síndico não precisa entender de tecnologia, se o cara do 81 é fera nisso; nem de engenharia se tem 2 ou 3 engenheiros excelentes que moram no prédio do lado; nem de segurança se no conselho já tem gente pensando nisso, muito menos de todas as inovações existentes, se a sua administradora já faz isso e traz pra discussão com ele. O síndico ótimo precisa entender de gente. De como fazer toda essa gente que mora dentro e perto trabalhar bem junta. O síndico do nosso tempo é o maestro!

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