Quem deixa o seu condomínio mais seguro?

Quem deixa o seu condomínio mais seguro?

Angélica Arbex

07 de agosto de 2015 | 09h38

Certamente se você se lembrar as  razões que foram determinantes para a sua escolha de viver em condomínio, a segurança é uma delas. Se não for a principal. Ninguém é ingênuo em acreditar que vive em um ambiente 100% seguro,  todos os especialistas que eu conheço que tratam a questão da segurança afirmam que  ambiente totalmente seguro não existe.

Mas no condomínio, a gente relaxa mesmo. O barulho a noite não é tão assustador. A área comum tomou o lugar daquelas brincadeiras de rua que a minha,  já balzaquiana, geração e as que me antecederam conhecem tão bem. Vivemos com a sensação de que estamos protegidos e, às vezes, até isolados em uma ilha de tranquilidade que ignora o que se passa das grades pra fora.

A tranquilidade esbarra nas estatísticas. O último estudo ao qual tive acesso aponta uma média de 150 assaltos em condomínio por ano no Estado de São Paulo. Um assalto a cada 2,5 dias. Em números absolutos a chance de um condomínio em São Paulo ser assaltado é de 0,5%. Um índice relativamente baixo. Por isso, quando acontece, vira notícia e causa alarde.

Mas afinal, como é que se constrói um ambiente seguro nos condomínios? Eu participei de diversos fóruns sobre o assunto  e tudo que a gente vê, experiências bem sucedidas, estatísticas, boas práticas, tudo isso mexe muito mais com a cabeça das pessoas do que com o bolso. Quem deixa seu condomínio mais seguro, acredite,  é você! A chave da segurança está no comportamento.

A tendência natural é acreditar que quanto mais monitorado está um ambiente, quanto maior for a equipe que faz a segurança, mais seguro o ambiente está. Porém, esta é apenas uma parte da solução. Importante, fundamental, mas não única.

Promover a cultura da segurança no condomínio  é uma ação que depende de um conjunto de coisas funcionando bem: o sistema de monitoramento adequado, funcionários treinados e preparados para agirem em caso de emergência e, acreditem a rotina de quem mora em condomínio. Um condômino desavisado é capaz de furar todo um esquema absolutamente estruturado de segurança.

– Sim! A sua mãe, que tem mais idade, precisa esperar do lado de fora até que seja anunciada. Não! O entregador de flores não pode levar a encomenda até a sua porta, mesmo que esteja frio, você tenha um bebê pequeno e esteja sozinha em casa com ele. No caso das regras estabelecidas para preservação da segurança no condomínio os interesses do grupo sempre se sobrepõem às necessidades individuais. Não vale brigar com o porteiro que deixou sua mãe esperando na chuva!

Não existem regras únicas, cada condomínio tem as suas características, fragilidades e perfil de moradores. Mas, como a imensa maioria dos assaltos começam pela porta da frente, existem alguns cuidados que são básicos e não dependem nem de tecnologia, nem de altos investimentos. De tudo que eu já ouvi, existem algumas coisas que são simples, não levam a gente a neurose e ajudam bem. Confira:

– Conheça e respeite as regras de segurança de seu condomínio;

– Mantenha atualizado o cadastro do seu veículo na portaria;

– Evite se despedir de seus convidados na portaria;

– Não tenha o hábito de entrar no seu condomínio pela portaria acompanhado de visitantes. Todo visitante deve passar por identificação;

-Conheça os seus vizinhos e procure combinar sinais de ajuda mútua;

-Não autorize a entrada de uma pessoa desconhecida e não esperada;

-Sempre retire suas encomendas na portaria, preferencialmente pelo passa volume;

– Procure não manter em casa jóias valiosas e grandes quantias em dinheiro. E sempre seja discreto sobre os seus hábitos e valores mantidos em casa;

– Se você passar por uma situação de emergência e for rendido procure sempre manter a calma, nunca reaja. Procure alertar a portaria através dos sinais combinados. O mais importante não é evitar a invasão neste momento e sim, encontrar tempo hábil para sinalizar a emergência para a empresa de segurança e para a polícia militar.

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