Para onde São Paulo vai?

Para onde São Paulo vai?

Angélica Arbex

05 Novembro 2015 | 11h39

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Condomínios são uma importante ferramenta para a revitalização dos bairros e da paisagem urbana. Ao redor dos lançamentos imobiliários a oferta de serviços aumenta, o comércio prospera, a região se transforma. Sempre enxerguei os condomínios como o maior fator modificador da cidade, por isso procuro entender para onde a nossa cidade vai a partir do modelo de verticalização das diferentes regiões.

São Paulo é a cidade onde mais se constrói no país e a cidade antecipa tendência e vai transformando o jeito de morar. Muitas ondas já passaram: condomínios quase sem área de lazer com apartamentos grandes nas regiões que se verticalizaram primeiro como Cerqueira Cesar e Higienópolis; os condomínios clubes em grandes áreas um pouco menos centrais, com muitos apartamentos e muita área de lazer; condomínios padrão de 80m² a 100 m² com foco na classe média; os compactos, de olho nos solteiros que querem morar perto do trabalho; os econômicos com incentivo do governo; e o ciclo recomeça …

Conheço um grande especialista no mercado de incorporação que me explicou detalhadamente o fenômeno manada. Um incorporador lançou, deu certo, vendeu tudo e outros players do mercado acreditam na ideia e criam empreendimentos parecidos até que… A oferta fica maior que a demanda, que reprimida no começo, incentivou e encorajou lançamentos semelhantes. Claro que entre uma coisa e outra existe muito planejamento, muita estratégia, pesquisa, análise vocacional de terrenos e também bastante chute. Assim de torre em torre São Paulo vai crescendo, e crescendo pra cima.

Nesse ano, a cidade deve receber mais 42 mil apartamentos. São 330 empreendimentos ficando prontos que devem gerar 2650 empregos diretos e movimentar um orçamento anual de R$ 300 milhões. O foco das atuais entregas são empreendimentos voltados à classe média. Aqueles lançados há mais ou menos 3 anos, numa época não tão distante onde o aumento do poder de consumo dessa turma alcançou a fase mais próspera.

20% de tudo que está sendo entregue está concentrado em 6 bairros, todos de classe média e média alta: Vila Mariana e Vila Andrade na Zona Sul, Vila Prudente na Zona Leste, Santana na Zona Norte, Pinheiros na Zona Oeste e Bela Vista na região central.

O mais interessante em uma cidade enorme como São Paulo é que não há concentração de crescimento em uma só região. Os números de condomínios entregues em 2015 são parecidos nas Zonas Leste (78 entregas este ano), Oeste (80), Sul (89) e um pouco mais tímidos nas Zonas Norte (49) e Central (34).

Observar para onde São Paulo vai é um exercício de construção da identidade do morar, mas é também uma grande oportunidade de prosperar para gente empreendedora que enxerga em cada torre dessa que aqui parece, uma oportunidade de negócio. Novos moradores com poder de consumo para produtos e serviços e e que cada vez menos gostam de  grandes deslocamentos para resolver as coisas do dia a dia.

Quanto vale uma voltinha por esses bairros… Olhar pra cima pode mudar a sua vida.