O inferno são os outros

O inferno são os outros

Angélica Arbex

07 Janeiro 2016 | 15h57

Na semana que passou, vi duas cenas acontecendo que me fizeram prestar ainda mais atenção nas relações entre as pessoas nos condomínios. Na primeira, uma subsíndica enlouquecida ligando para todos os condôminos em um condomínio no Guarujá pedindo para que eles fossem até a garagem e estacionassem os seus carros de um modo diferente. Algumas pessoas resistiram, outras riram da situação, e a subsíndica lá, vestida de dona da razão, tirando fotos, fazendo ameaças. Um jeito único de começar as comemorações de Ano Novo.

A outra história na mesma época, mas em outro condomínio foi uma reunião entre a Síndica e umas 10 crianças alvoroçadas, molhadas… E a síndica entre toalhas e boias estava tentando ensinar a todas aquelas crianças juntas, as regras para pegar o elevador ao sair da piscina.

Nos dois casos o que não faltava era razão pra todo lado, mas solução mesmo, foi impossível de encontrar. Conviver é difícil mesmo, compartilhar espaço também. Mas deve ter um jeito de evitar situações pitorescas como estas e conseguir fazer com que as regras sejam cumpridas, sem gritaria e ameaças.

criança piscina

O que eu já vivi na Vida Vertical me faz acreditar que a única coisa que não dá certo para ajustar a convivência é o exercício do poder puro e simples, ditando regras para esta ou aquela pessoa. Ainda vamos falar por aqui da delicada relação entre síndicos e condôminos, mas isso é assunto pra outro dia.  Subsíndica com máquina fotográfica em punho, palestra para crianças na hora da diversão no verão? Não resolve. Mas, o que resolve? Difícil, né?

É importante lembrar que a convivência em condomínio prevê pessoas diferentes compartilhando os mesmos espaços. O comportamento cordial e altruísta melhora, e muito, a qualidade de vida. O fundamental é pensar com gentileza e agir com gentileza. Entre as muitas coisas possíveis existem algumas atitudes que ajudam a evitar conflitos, compartilhando espaços.

Crianças: quem educa os nossos filhos somos nós. Não é o fato de morar em condomínio que muda isso. A convivência coletiva acontece no condomínio, na escola, na igreja…. Deve ser uma rotina constante, ensinar as regras e o valor de cumpri-las. Não basta saber nadar para descer sozinho para a piscina, tem que saber quais são as regras para usar aquele espaço. Depois que a gente ajuda os nossos filhos a entender isso, eles não irão precisar fazer reuniões com a síndica em pleno verão.

Adultos: parece estranho, mas a gente precisa se lembrar de colocar em prática o que ensinamos aos nossos filhos. Sujou? Limpe. Barulho fora de hora, não pode. Carro ocupando 2 vagas de garagem se você só tem direito a uma vaga, não pode. As áreas de convivência têm regras claras, que precisam ser respeitadas. É simples e ajuda muito a resolver quase todos os conflitos cotidianos.