Não é da minha conta! Ou é?

Não é da minha conta! Ou é?

Angélica Arbex

19 de janeiro de 2016 | 09h04

Agora que já estamos ligando 2016 e já recebemos IPVA, lista de material escolar, reajustes de escola, plano de saúde, IPTU todas aquelas coisas de começo de ano, vamos ser convidados para uma assembleia onde vai ser discutido e definido o orçamento do condomínio.

A grande maioria dos condomínios paulistanos faz este encontro no primeiro trimestre do ano. Todo mundo que trabalha administrando condomínios está na fase de preparar estes orçamentos. Calculadora em uma mão, o telefone na outra, muita conversa com síndicos, muita habilidade para negociar e preparar uma conta que precisa unir os interesses do condomínio e de tudo que precisa ser feito com o bolso das pessoas.

Tudo subiu em média 15% de um ano pra cá. Atenção, este não é um índice oficial, publicado por economistas, muito menos pelo governo é mais uma sensação minha e de todo mundo que eu tenho conversado por esses tempos. As mensalidades, os contratos tudo aquilo que a gente resume e chama de custo de vida. Você já fez essa conta? Aconteceu igual com as suas despesas? Não dá para imaginar que o condomínio não vai subir, ou que vai subir sim e não há nada que se possa fazer a respeito.

O “não é da minha conta”, tem que dar lugar para, mas como é que está sendo empregado o meu dinheiro. O jeito como um condomínio é administrado e o seu orçamento anual são muito, mas muito importantes. Em primeiro lugar, porque é o valor que você paga de condomínio e o que é feito com esse dinheiro que vai definir se o seu imóvel é valorizado ou não; se vai haver dinheiro para reformas e benfeitorias; se existe uma reserva para atualizar mobiliário, deixar a fachada impecável etc.

Todas estas decisões passam pela assembleia que aprova orçamento. Você vai lá não só para decidir se o valor do condomínio vai passar de R$ 600,00 para R$ 680,00. Esta é a ocasião onde as decisões de investimento e de plano de trabalho são tomadas. Assim mesmo, como uma reunião de conselho em uma empresa. Propostas apresentadas, estratégias detalhadas, tudo colocado em votação, vale a decisão da maioria presente.

Você esteve lá, participou, ajudou a resolver, bom. Você não esteve, precisa aceitar o que a maioria presente decidiu. Simples assim. Mas é claro que esta não é uma decisão de uma noite. Para participar o ideal é acompanhar o dia a dia. Porque é lá que as coisas realmente acontecem. Prestação de contas mensal, saúde financeira, evolução de despesas e de inadimplência, reserve meia hora da sua semana e dê uma olhada nesses indicadores. Caso você não saiba como fazer isso, converse com o síndico, com a administração, eles podem e devem ajudar a fornecer esses caminhos. Isso ajuda a contribuir com o grupo gestor. Claro, que o síndico é o representante legal do condomínio e tem muita ou quase toda responsabilidade, mas uma gestão participativa que ajuda a construir é sempre melhor.

A grande maioria dos síndicos que eu converso, queixa-se desta “solidão”. Não é incomum ouvir que as pessoas não se interessam, não trocam ideias e depois criticam decisões. Dá pra começar a mudar esse jogo. Morar em condomínio significa também participar das decisões coletivas. Já pensou que o seu condomínio é muito mais do que o valor que você paga por mês. Tudo que se decide lá é sim da sua conta, e você pode fazer toda diferença.