Mais que vizinhos

Mais que vizinhos

Angélica Arbex

31 de julho de 2020 | 16h00

O Senado aprovou o substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 2.510/2020, que obriga moradores e síndicos de condomínios a informarem casos de violência doméstica às autoridades competentes. O projeto, aprovado em votação simbólica, será encaminhado à Câmara dos Deputados. (Agência Senado)

Estamos a poucos passos da aprovação de uma Lei que modifica profundamente as relação entre moradores de condomínios. Mais do que vizinhos, o que a nova lei propõe é o que já vem acontecendo na prática em milhares de condomínios brasileiros, a formação de comunidade e o fortalecimento da rede de confiança entre as pessoas que compartilham o mesmo espaço. A redação da lei, no meu entendimento ainda precisa de ajustes importantes para que a sua aplicabilidade seja possível, mas a discussão que ela abre é absolutamente necessária.

Além de modificar a relação entre as pessoas, o projeto prevê também um novo papel para os Síndicos. O Síndico contemporâneo é um líder que representa um conjunto de pessoas, escolhido por elas e que assim tem cada vez mais legitimidade para cuidar de verdade de seu bem estar. Pouco resta do esteriótipo de que o síndico é o cara que fiscaliza e pune. Um bom síndico pode tornar de verdade o condomínio um lugar melhor para estar e viver.

Sempre digo que as pessoas que moram em um condomínio não se escolheram e, portanto, não tem uma tendência natural a formação de laços. Construir comunidades a partir do endereço é um desafio permanente e urgente. Mas os novos tempos têm mostrado que o lugar onde você mora diz muito sobre quem você é. 1/3 dos paulistanos vive em condomínios , mais de 6 milhões de pessoas. E este novo jeito de compartilhar espaços no período pós pandemia mostrou que a vida é muito mais fácil se você conta com uma rede de proteção e ajuda a apenas um elevador de distância.

O debate acerca da Lei trata justamente disso. Os vizinhos e o síndico podem ser uma força fundamental para impedir a violência sobre qualquer pessoal vulnerável dentro do condomínio. Passa a ser responsabilidade desta comunidade denunciar a violência protegendo as vítimas. Cada janela passa a ter a obrigação de trazer esperança contra o medo, a violência, o mal querer. Como uma verdadeira comunidade. Mais um passo para o condomínios que queremos ver e os condôminos que podemos ser.

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