Histórias de sorriso no rosto

Angélica Arbex

25 de outubro de 2019 | 18h04

Só eu que tenho uma vontade quase insana que o elevador comece a ir cada vez mais devagar quando a conversa de dois vizinhos vai ficando muito muito boa e o andar deles ou o meu tá chegando? Dá uma vontade danada de interromper e dizer: – ” tá, fala logo o que ele respondeu? vou precisar descer e não posso ficar sem saber… ” ou qualquer coisa do tipo. Lá no meu prédio e em tanto outros que eu convivo por causa do trabalho ou por causa dos amigos tenho visto um movimento cada vez mais amistoso. Desde coisas bobas de curiosidades inocentes  do papo de elevador até a formação orgânicas  e organizadas de comunidades.

Você já reparou? É só ter cachorro ou criança ou alguém que trabalhe na sua casa e fique lá o dia todo… Se tiver tudo isso junto então?! É cada história boa. É gente se ajudando, de empréstimo de ferro de passar a panela de cuscuz, organização relâmpago de piquenique até mutirão pra horta. Rodízio de mães buscando criança na escola, cachorro passando tarde na casa de outro cachorro pra não ficar sozinho. Vidas acontecendo com pessoas que não se escolheram mas que cada vez estão mais abertas ao compartilhamento não só do espaço mas da convivência.

Sério, toda vez que um jornalista me liga pra repercutir um problema de convivência em um condomínio, aqueles famosos “5c’s” (cano, cota, criança, carro, cachorro) eu tenho rebatido, tenho mostrado o outro lado, tenho dito que é notícia velha, contado casos em que a convivência tem dado certo, casos em que os vizinhos se unem para construir coisas boas para o prédio, para a rua, para o bairro. Histórias de gente que não franze a testa quando conta casos do condomínio onde mora, muito pelo contrário. Histórias de sorriso no rosto.

Muita gente comenta por aqui que esta é uma visão ingênua da vida em condomínio, que ver o copo meio cheio é uma questão utópica e ainda mais difícil em uma cidade extremamente verticalizada como São Paulo e nos tempos difíceis que temos vivido por aqui. Mas eu garanto que não. Convivo com condomínios diariamente, com muitos deles, mais ou menos 3 mil aqui no Estado de São Paulo. Acompanho, investigo e estudo iniciativas incríveis e não isoladas aflorando e um novo jeito de conviver querendo acontecer. Com mais concessão e a descoberta que o coletivo é muito mais poderoso na construção que na destruição.

Se ainda não aconteceu com você, dê só uma chance. Experimente se incomodar menos com o barulho e brincar com o cachorro da vizinha, você vai ver. A vida melhora… e melhora exponencialmente.

 

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