Ensinamentos da Pandemia

Ensinamentos da Pandemia

Angélica Arbex

22 de abril de 2020 | 13h04

Hoje, 22/04/2020, o Governo do Estado de SP vai divulgar o plano de reabertura do Estado após a fase mais controlada de isolamento social. O debate entre crescimento ou retração da economia X necessidade de isolamento para achatamento da curva de infectados é infinito. Este post não têm o objetivo de tomar partido sobre o tema, mas sim com os primeiros sinais deste novo normal, convido o leitor a uma reflexão sobre os aprendizados da pandemia.

Nas corporações todas as pessoas com quem falo estão dizendo que, neste período, estão trabalhando muito mais do que em tempos regulares. O desafio da convivência 24 X 7 com a família, as crianças, a casa também trouxe relatos de dor e delícia. A capacidade de transformação digital dos processos, reinvenção, criatividade e superação do comércio, dos serviços, das pessoas é um legado indiscutível da pandemia. O que fizemos como pessoas e profissionais em 45 dias é muito mais do que podemos produzir em 6 meses ou mais tempo sem restrições.

A abundância sempre foi um dos maiores empecilhos da produtividade e da criatividade. Os tempos de restrição mostraram que somos competentes, resilientes e solidários. Mas a que preço? Até este momento 2,6 milhões de casos confirmados de Covid-19 no mundo, com mais de 178 mil mortes. O que o mundo todo mais quer é testes e leito hospitais para todos que precisam, uma vacina, um suspiro aliviado de que tudo está passando. Vai passar. Mas como e quando passar, como vai ser esse novo normal?

Na cidade de SP, 1/3 da população mora em condomínios, compartilhando espaço. São quase 5 milhões de pessoas que estão neste momento em isolamento social em suas casas, mas num ambiente coletivo. Os condomínios são um grande desafio para o isolamento. São espaços construídos para serem coletivos, espaços da vida em comum. Acho muito importante ressaltar que não há registro, dos condomínios que acompanho, de contaminação nas áreas comuns, elevadores, halls, garagens etc. Acho que a rotina imposta pelos prédios e a disciplina e responsabilidade dos funcionários dos condomínios  são uma outra lição importante que a vida vertical na pandemia.

Outra coisa que vale a pena a gente lembrar é que foi nessa vida em comum que surgiu o primeiro grande movimento de solidariedade da pandemia. Lembra dos bilhetes que viralizaram do vizinho ajuda vizinho? Também nos grupos do condomínio é que surgiu com muita força  o incentivo ao comércio local. Uma profusão de fornecedores de comida, de máscaras, de álcool gel e tantas outras coisas viraram cards de whatsapp com gente conhecendo, compartilhando e comprando do local. O fechamento das áreas comuns e do protocolo para delivery foi de um sucesso e de uma disciplina exemplares.

Tenho dito que foi muito mais fácil fechar as áreas comuns, do que será reabri-las. Esta decisão do que pode e do que não pode nos prédios, não poderá ser uma decisão solitária. Os síndicos vão precisar de ajuda e de orientação consistente. E mais importante do que cada prédio tomando as suas próprias decisões,  uma orientação clara na política do governo do que deve ser feito. Os 20 mil  síndicos da cidade vão precisar trabalhar para estabelecer qual será o novo normal. E vão precisar de ajuda para saber o que fazer. Todos juntos e mantendo a coerência e o cuidado com excessos e desmandos autoritários que a falta e informação faz com a gente. Onde não há informação, sobre desespero e descontrole. Isso não aconteceu até agora nos condomínios e precisamos trabalhar juntos para que isso aconteça na criação do novo normal.

 

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