E você, acha seu condomínio caro?

E você, acha seu condomínio caro?

Angélica Arbex

24 Junho 2015 | 10h48

Sempre que eu conto pra alguém com o que eu trabalho, acabo recebendo como resposta: – “Nossa, o meu condomínio é muito caro.” E diversas vezes depois desta frase vem um complemento assim: – “Meu prédio não tem nada, só uma garagem (estreita por sinal) e um salão de festas. Não entendo porque ele custa tanto.”

O orçamento anual dos condomínios paulistanos é de aproximadamente R$ 6,5 bilhões. Conta feita de trás pra frente. São 20 mil condomínios com, em média, 56 apartamentos e uma cota condominial de R$ 490,00 sem consumos de água, gás ou investimento em reformas e melhorias. R$ 6,5 bilhões é bastante coisa, para se ter uma ideia é mais do que o orçamento de todas as capitais no Nordeste. O orçamento anual de  Salvador para 2015 é algo em torno de R$ 6,2 bilhões e Fortaleza, R$ 6,4 bilhões são os dois maiores da região.

Os números grandiosos são um bom parâmetro de comparação para dar a dimensão do que estamos falando ou um bom jeito pra puxar assunto numa tarde de terça-feira qualquer. Mas o que importa de verdade para pessoas como você e eu que vivemos vertical é olhar através do olho mágico e saber o que a gente paga, quando paga o condomínio. Como é que este valor faz sentido ou não no nosso orçamento mensal e o que ele traz de volta como serviço.

Antes de tudo, o condomínio é um empregador, com todos os deveres de qualquer empregador. E é justamente aí que vai quase metade de tudo que o condomínio arrecada. 45% do que você paga vai para as despesas com pessoal, seja ela composta por funcionários próprios ou terceiros.

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O que é fundamental para determinar o valor do condomínio é o número de apartamentos, casas ou escritórios que o compõem. Quanto mais apartamentos menor o valor que cada um paga. Quanto maior a exclusividade, maior o valor também. É importante saber que o condomínio é um serviço: com ele você paga pela segurança, limpeza, transporte, iluminação, manutenção e conservação das áreas comuns.

Antes de achar que condomínio é um aluguel eterno ou uma obrigação sem qualquer  retorno percebido, comece a prestar atenção como o dinheiro que você paga é empregado. Você vai perceber que, mesmo nos condomínios mais simples, há uma estrutura planejada para que você possa ter qualidade de vida, segurança e a manutenção do seu patrimônio. Se as crianças podem brincar tranquilas no playground é porque ele está conservado, você pode fazer festa nas áreas comuns, os convidados de sua casa são anunciados e identificados, os elevadores estão com a manutenção em dia, seu hall está limpo, enfim, esta operação tem um custo. O segredo é otimizar os recursos para que os benefícios percebidos se sobreponham ao valor pago mensalmente.

Assim, quando você perceber que o retorno do que é pago é usado para devolver serviços a você e cuidar do seu patrimônio fica mais fácil entender o que você paga quando paga condomínio.

Confira algumas dicas para ter um valor de condomínio que caiba no seu bolso:

1) Pergunte, compare, escolha. Quando for escolher um apartamento, o valor do condomínio deve ter um peso muito grande em sua decisão. Não se esqueça que ele é uma despesa fixa e permanente.

2) Participe do planejamento do orçamento. A reunião que decide o orçamento anual do condomínio é muito importante. Participe ativamente, conheça o plano de trabalho e se for o caso contribua com alternativas e opiniões que possam ajudar a organizar melhor o orçamento.

3) O barato sai caro, mesmo. Sempre que estiver em discussão a contratação de empresas para manutenção, prefira as empresas que oferecem melhor qualidade e mais garantia. A manutenção preventiva é sempre mais barata do que a corretiva.

4) Faça a sua parte. Economize água, utilize o elevador da maneira correta, evite desperdícios de recursos do condomínio, esta conta é paga por você também. Quando todo mundo economiza, todo mundo ganha.

5) Poupe.  Incentive a criação de uma poupança, nos condomínios ela é chamada de Fundo de Reserva. Isto é fundamental para evitar arrecadações muito altas para fazer frente a uma despesa não prevista.