É, secou.

É, secou.

Angélica Arbex

21 de agosto de 2015 | 09h32

O Governo de São Paulo admitiu pela primeira vez essa semana que a situação do abastecimento de água é crítica. Para ajudar, não chove há 27 dias por aqui. Passa frente fria, chuvisca, mas chover mesmo, nada. No levantamento que preparamos esta semana em quase 2 mil condomínios, fica claro o relaxamento de parte dos condôminos. O número de condomínios que economiza piorou 7%, 8% em relação ao último estudo feito há 3 meses. Pior que o número, é a tendência!

São Paulo fez tudo errado desde sempre com relação a autossuficiência hídrica. Cresceu cimentando seus rios e tornou-se dependente da água que vem de mais longe. O Cantareira por exemplo, que está mais seco, depende da água que vem de Minas Gerais. Aí juntou tudo, o clima cada vez mais incerto, a chuva que precisa cair no lugar certo e a gente que consome água potável em abundância.

Água potável é um bem ainda barato no Brasil e por isso consumido em excesso. Mas como toda lei da oferta e da demanda, barato não vai ser por muito mais tempo e o “volume morto” vai fazer cada vez mais parte dos nossos papos de boteco.

Muita coisa boa também está acontecendo. Aparecem novos estudos e soluções para tratamento barato e simples da água de reuso, o governo de São Paulo vem realizando novas obras que devem aliviar o longo prazo, novas tecnologias estão surgindo para dessalinização e para encontrar vazamentos. Estes sem dúvida os maiores gargalos de desperdício.

As novas soluções quando estiverem prontas para serem implantadas vão ter efeito se construirmos também a cultura da economia. Banho curto, máquinas de lavar louças e roupa utilizadas com a capacidade máxima, torneira fechada na hora de escovar os dentes, tolerância zero com os vazamentos, lavar o carro com frequência menor e em locais que não utilizam água potável, usar regadores inteligentes para as plantas. Usar menos, com sabedoria e com a consciência que água para todos em abundância não é mais uma realidade possível.

Segundo a ONU, cada pessoa precisa de 4 mil litros de água por mês para viver ou 4m³, no Brasil a média de consumo é de 6m³. Faça as contas na sua casa, veja como está o seu estilo de consumo. Já falamos disso por aqui, no post Aprendemos a fechar as torneiras, mas o que o condômino de São Paulo, em resumo, a gente, precisa conseguir fazer é uma mudança permanente de comportamento.

Veja onde é possível economizar, instalando redutores de vazão, conversando com as crianças (hoje, sobre esse assunto temos tanto a aprender com eles), ajudando as pessoas que trabalham na sua casa a praticar a economia mesmo sem você estar por perto. Não estamos numa crise hídrica, vivemos permanentemente nela. As soluções são diversas e todas passam pela tecnologia e pela colaboração da população em massa, só assim não vai secar.

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