E se eu não pagar?

E se eu não pagar?

Angélica Arbex

19 Fevereiro 2016 | 09h07

Essa semana três veículos diferentes de comunicação me pediram uma análise dos índices de inadimplência nos condomínios paulistanos. O pedido era parecido: olhar para o comportamento da curva da inadimplência nos últimos 2 anos, tentar encontrar tendências para acender ou não a luz de preocupação nos condomínios.

Claro que este assunto está constantemente na pauta da Vida Vertical. Com as notícias ruins da economia, o aumento do índice de desemprego, a desordem generalizada instalada no comando do país, a tendência natural é ver esta preocupação aumentando. E os veículos de comunicação, assim como em outros setores da economia, têm interesse em conhecer os números e repercutir a tendência.

Mas a conta do condomínio é um pouco diferente das outras contas. Que atire a primeira pedra quem nunca ouviu: – “ele mora na cobertura, tem cinco carros e não paga condomínio há um ano, e eu aqui pagando a conta por ele!”. Por que é isso mesmo, condomínio é uma conta coletiva da maneira mais direta possível: se o seu vizinho não pagar a conta, você e os outros moradores terão que pagar. É um orçamento fechado, sem grandes folgas, receita X despesa, uma conta que tem que bater.

Claro que a elevação da inadimplência tem resultado devastador para o patrimônio de todos. Quando o dinheiro começa a faltar, contratos de conservação são espremidos, fornecedores de primeira linha são substituídos, quadro de funcionários reduzido, os recursos destinados à valorização do patrimônio são utilizados para as contas do dia a dia. Até que… Não dá mais para pintar o prédio, trocar mobiliário, cuidar da iluminação, da área comum e o resto vai ladeira abaixo.

O grande problema é que essas sequelas não são imediatas. As pessoas não participam ativamente do orçamento do condomínio e não vão percebendo que a situação vai se agravando mês a mês. E o resultado no longo prazo tem efeito direto no bolso de quem pagou e quem não pagou o condomínio: a grande desvalorização no apartamento!

Assim como todos os outros aspectos na vida em condomínio, a inadimplência traz consequências coletivas e permanentes. Consequências para o condomínio, e claro, para o inadimplente. Daquelas coisas onde ninguém ganha e onde a solução parece difícil e sempre delicada. O grande segredo para evitar esse descontrole que é ruim para todo mundo, inclusive para o morador inadimplente é o tempo. A dívida pequena é muito mais fácil de resolver, com consequências muito menores.

A luz da preocupação tem que acender no primeiro condomínio não pago, é aí que existe solução para a inadimplência. No controle e na eterna vigilância, quando a conta fica maior do que todo o orçamento mensal da família, a bola de neve está formada e a avalanche faz um grande machucado coletivo.