Como você escolhe sua casa?

Como você escolhe sua casa?

Angélica Arbex

27 de setembro de 2019 | 18h00

Sempre me perguntei sobre o que é decisivo na cabeça das pessoas na hora de escolher um novo apartamento. Seja para alugar ou para comprar. Acompanhei recentemente uma pesquisa etnográfica (aquela onde o comportamento do consumidor é acompanhado e registrado pelo pesquisador sem uma interferência direta) e uma das coisas mais curiosas que aprendi com ela é que a decisão pelo imóvel, que para mim sempre pareceu uma decisão racional, é na verdade muito mais emocional do que eu pensava.

Aqueles indicadores que todo buscador de imóveis trás – valor por m², valor do condomínio, número de quartos ou banheiros, distância do metrô, parquinho no térreo – fatores que parecem decisivos são na verdade filtros. Questões imponderáveis são as que levam as pessoas à decisão. Vi algumas coisas realmente curiosas, como o apartamento perfeito para um casal, mas que tinha uma cor de fachada no condomínio que desagradava ao marido, uma moça que viu mais de 30 (30!) apartamentos e só no fim descobriu que o que a incomodava era a clausura na entrada (aquele espaço entre os dois portões), um condomínio que tinha tudo certo, mas do apartamento não dava pra ver o parquinho e rapidamente foi riscado do top 5 de uma família na Vila Mariana.

A casa – seja um apartamento enorme ou uma mochila nas costas – é lugar dos afetos! Casa tem foto de muitos momentos importantes, tem lembrança nas paredes, almoços de domingo, bolos de aniversário. Casa é onde se reúnem os melhores amigos, pra onde a gente vai quando casa, casa é onde a gente cria filho e pra onde a gente sempre volta. Casa é liberdade e intimidade. Há tantos anos na vida vertical, acompanhando de perto, muito perto a vida de tantas pessoas na relação com as suas casas, aprendi muito sobre a vida, sobre conflitos, sobre planos, sobre gente!

O brilho no olho de quem pega as chaves do apartamento que acabou de ficar pronto, a alegria de ver toda criançada brincando lá embaixo,a satisfação de um síndico que realizou tudo que foi planejado e tornou o condomínio melhor são momentos (muitos) que se acumulam na memória e que traduzem a experiência de se sentir em casa e de trabalhar para tornar a casa do outro cada vez mais feliz.

O decisivo na minha escolha foi o tamanho do elevador, claustrofóbica que só, já peguei mais de mil elevadores diferentes nas minhas andanças pela vida vertical. Essa é sempre a hora que mais me faz sofrer quando vou conhecer um condomínio. Quando fui escolher a minha casa, entrei num elevador enorme e rápido. Na hora, antes de abrir a porta do apartamento minha casa estava escolhida.

 

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