Barulho: o terror vertical

Barulho: o terror vertical

Angélica Arbex

27 Abril 2017 | 14h51

fonte: freepik

Sim! Ele é o principal motivo de reclamações e desentendimentos da Vida Vertical. Este é um caso típico onde todas as partes acham que têm razão e o problema cresce demais e fica realmente sem solução. Muita gente prefere se mudar para acabar com o conflito do barulho seja porque recebe muita reclamação, seja porque reclama demais.

Este post não tem a pretensão de falar sobre a Lei e sobre as penalidades relacionadas ao barulho em condomínio. É mais um guia simples que ajuda a tratar os problemas mais comuns com dicas para quem sofre com esse problema em qualquer um dos lados da história.

Para começar dicas para quem reclama do barulho do vizinho:

Morar em condomínio pressupõe conviver com o outro e conviver não é fácil mesmo. Alguns apartamentos têm isolamento acústico sofrível, o que piora muito a situação. É preciso ter em mente que as pessoas vivem dentro dos seus apartamentos e viver faz barulho, não tem jeito!

– Guarde as suas reclamações para situações realmente perturbadoras, se você reclama sempre, sua reclamação cai em descrédito e mesmo quando você tiver razão, ninguém te dará ouvidos.

– Negocie. Procure seu vizinho e exponha o seu ponto de vista, nessa hora brigas e ameaças são as piores saídas. Uma conversa franca pode ajudar. Conte o que mais te incomoda com relação aos barulhos e tente negociar um meio termo. Concilie interesses, negocie horários, procure de fato, um entendimento.

– Registre os abusos. Toda vez que seu vizinho exagerar em seu ponto de vista, registre o abuso no livro de ocorrências do condomínio, reúna fatos concretos que ajudem a comprovar este abuso. Se o barulho for realmente perturbador, outros apartamentos também vão ouvir e registrar, com estes dados o Síndico terá bons argumentos para produzir uma advertência ou multa para a unidade.

 

Agora para quem recebe reclamações sobre barulho:

– Preste atenção aos seus hábitos, pequenas mudanças podem fazer grande diferença para uma convivência melhor. Salto alto em piso de madeira, secador às 6h da manhã, furadeira fora do horário permitido, redesenhar a posição dos móveis de madrugada tudo isso incomoda muito. Alguns vizinhos reclamam outros não, mas estes ruídos todos podem ser evitados . Pense na sua rotina, pense principalmente que você tem vizinhos, coloque-se no lugar deles, reavalie.

– Informe com antecedência eventos especiais. Você vai dar uma festa em sua apartamento, vai iniciar uma reforma ou qualquer coisa que muda a rotina e pode incomodar seus vizinhos, o melhor a fazer é avisar com antecedência. Esta atitude mostra que você respeita seus vizinhos e preza pela boa convivência. Acredite, na grande maioria dos casos a tolerância, com questões previamente combinadas é muito maior.

– Você tem um cachorro em casa mas sai o dia todo? Avalie como está sendo o comportamento dele durante o período que você não está em casa. Se ele latir o tempo todo, seu vizinho deve estar muito incomodado com a situação. Neste caso, vale perguntar para os vizinhos como é o comportamento do bichinho e se ele realmente não se acostumar com a rotina sozinho, tome providências para resolver o problema.

E o Síndico quando precisa se posicionar:

Uma das tarefas mais espinhosas do síndico é a intermediação de conflito entre os moradores. Como se posicionar neste caso senso justo e indo ao encontro da conciliação entre os condôminos.

– Conheça seus condôminos. Para saber se as reclamações procedem é importante conhecer o histórico dos condôminos estejam eles de qualquer um dos dois lados. Um condômino que sempre reclama acaba tendo menos peso, pois se ele reclama de tudo é difícil saber o que procede e o que não procede. Um apartamento que recebe reclamações de todos os lados, certamente se isso acontece, existe algo de errado com o comportamento dos moradores. Neste caso, é preciso tomar uma medida com advertência e, na reincidência, multa.

– Trabalhe com os fatos. Para poder penalizar uma unidade é preciso ter fatos que comprovem a infração, sem eles não é possível documentar uma advertência, muito menos penalizar a unidade com multas.

– Procure os caminhos da conciliação. Esclarecer os condôminos das regras referente ao barulho no condomínio. Cartazes, cartilhas com o que pode e o que não pode realmente ajudam. A convivência melhora quando há disposição para o diálogo e o entendimento. É natural que as pessoas queiram diminuir ou acabar o conflito no lugar onde elas moram, aproveite esta boa vontade para incentivar o entendimento entre as partes.

Para todos:

Conviver é realmente um grande desafio. Não tem jeito, reunir pessoas diferentes, com hábitos e histórias diferentes é muito complicado mesmo. Todas as pessoas que escolheram viver em condomínio precisam ter em mente que este é um exercício de cidadania  e de concessão. É muito importante que neste ambiente não exista espaço nem para abusos nem para ameaças, nenhuma das duas atitudes levarão ao entendimento.

O que funciona melhor, mais que a punição, é uma boa conversa, com entendimento, a tolerância. Como em qualquer outro ambiente onde a gente transita respeito, resiliência, educação, calma através destes caminhos os problemas são enfrentados e resolvidos. O resto é briga, desentendimento, queda de braço e isso não resolve nada, em lugar nenhum.