Abre e fecha. Pode, não pode. Alguém ajuda?

Abre e fecha. Pode, não pode. Alguém ajuda?

Angélica Arbex

19 de junho de 2020 | 20h53

Esse pode, não pode das regras de enfrentamento da pandemia nos condomínios tem feito muito, muito mal para a organização geral da vida em comum. Cada prefeito do Estado de São Paulo diz uma coisa. O da capital disse que a decisão fica a cargo dos síndicos. Em algumas cidades do interior tem que ter até medição de temperatura em condomínios residencias, outras cidades criam protocolos extensos para condomínios e a maioria não fala nada. Já o presidente da república quis participar também e decidiu que síndicos não têm poder sozinhos para decidir nada. Em seu veto na Lei 14010 para o artigo relacionado a condomínios, Bolsonaro fez apologia à democracia. Confuso!

Nesta pandemia, estou acompanhando a rotina dos condomínios e fora eles terem sido os primeiros focos de solidariedade, eles também foram exemplos de disciplina. Você já reparou que rapidamente toda vida vertical aprendeu a colocar máscara nas áreas comuns, a não compartilhar a viagem de elevador com vizinhos e a respeitar a piscina e a academia fechadas. O respeito ao próximo ou mesmo o medo deu conta de deixar os síndicos mais tranquilos. Claro, você pode dizer, aqui não foi assim. Teve condômino desrespeitando, discutindo com funcionários, vizinhos e síndico, mas essa foi a pequena minoria ruidosa. O que fica destes mais de 100 dias é uma maioria silenciosa, disciplinada e sábia.

Sábia porque ficou claro que, com todos os significados que a casa ganhou, ela tem que ser um lugar de paz. E paz só se constrói com consenso. Por isso chamo a atenção para esta falta de unidade no protocolo para os próximos meses da vida em condomínio. Não chamo de protocolo de abertura, tão pouco de isolamento porque eu simplesmente não sei o que deve ser feito. Nenhuma autoridade que conhece melhor que eu e você a questão sanitária está dando caminhos únicos do que fazer com academias, piscinas, parquinhos, quadras, crianças, idosos, elevadores, entregas, obras. E deixar os síndicos decidirem cada um de um jeito é coisa de lunáticos. Eu sei, eu sei não é só nos condomínios que estamos assim. Mas é para eles que eu olho.

Precisa haver um esforço conjunto entre especialistas nas rotinas da vida em condomínios e em autoridades sanitárias para a construção de uma diretriz única, mais ou menos consensual para a convivência dos próximos meses em condomínios. E a partir desta orientação, direção, protocolo, cada condomínio pode construir o seu consenso.  A responsabilidade de tomar a melhor decisão para o lugar que se tornou o mais seguro para estar, em tempo integral, nos últimos 100 dias é muito grande. E colocá-la nas costas do síndico é até uma crueldade, com ele e com a gente que, neste momento, está louco para ter regras coerentes e sensatas para seguir.

Este post é um convite para a reflexão e construção de um caminho, que não sei exatamente qual é, mas que precisa ser construído. E com urgência e responsabilidade.

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