A segurança, os condomínios e a cidade

A segurança, os condomínios e a cidade

Angélica Arbex

13 Julho 2016 | 13h08

fonte:freepik

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Na última semana, o Diário Oficial publicou o termo de cooperação entre a Polícia Militar do Estado de São Paulo e o Secovi (Sindicato da Habitação de São Paulo) para integrar o sistema Detecta da Polícia com as Câmeras dos Condomínios. A ideia é ótima, já praticada em outras cidades grandes com bons resultados. Quanto mais informação e inteligência colocada na manutenção da segurança, mais seguros estaremos, certo?

As câmeras que monitoram o intramuros dos condomínios e já captam imagens externas dos arredores, serão também alertas instantâneos ligados à Polícia Militar que pode chegar em tempo real, dando pouca chance para uma invasão bem sucedida nos condomínios. A ideia, naturalmente, será apoiada pelos síndicos, moradores e funcionários dos condomínios. Mas, já está gerando polêmica. Explico: este acordo prevê que a despesa para a aquisição e instalação deste sistema de integração, que é de mais ou menos R$ 2 mil, será dos condôminos. Não é dividido, não é do Estado, é uma despesa do condomínio, paga pelos condôminos.

Será que este é mesmo o caminho mais adequado? Os condôminos já pagam todo o  sistema de segurança do seu condomínio, equipamentos, contratos, mão-de-obra etc; os condôminos são cidadãos e já pagam naturalmente os seus impostos que, em tese, devem garantir entre outros serviços fundamentais, a segurança pública. Esta integração, que é uma excelente iniciativa, não deveria ser pensada de uma outra maneira?

Não se trata apenas da compra do equipamento que é uma despesa pontual. Há também a manutenção, deverão existir melhorias para padronizar esta integração em toda a cidade, que podem gerar novas despesas; da forma como está proposto este todo parece ser responsabilidade dos condomínios. E é aí que a coisa complica. Quando se determina que a despesa é do condomínio, o que está sendo dito é que a responsabilidade é do condomínio. É como se a cidade ganhasse 20 mil novos pontos “públicos” de fiscalização (um em cada guarita) financiados pelos moradores, sem que eles tivessem sido ouvidos e pudessem opinar a respeito.

A integração pode trazer inúmeros benefícios, sendo que o maior e indiscutível é o aumento da sensação de segurança. A cidade, se isto for aplicado com planejamento e gestão, ganha também uma nova dimensão de monitoramento. Olhe São paulo por cima, imagine se cada torre for uma geradora de imagem da redondeza, quanto a cidade não ganhará? O que precisa ser discutido é como esta integração será feita. Poderiam ser realizados encontros com síndicos, associação de moradores e a polícia. Estabelecendo responsabilidades conjuntas, mensurando resultados esperados, gerando consenso. Este é modelo que me parece mais promissor; um modelo que representa a sociedade de verdade. Compartilhar despesas, benefícios, resultados, com cada um fazendo a sua parte, é essa a definição de cooperação, não?