A casa nas costas

A casa nas costas

Angélica Arbex

28 de agosto de 2020 | 19h14

A gente ainda vai demorar muito tempo para processar o que foi o ano de 2020. As dores, os aprendizados, as transformações. Este ano  mudou tudo o que se sabia sobre estudar, trabalhar e morar. Já li um sem número de artigos e estudos sobre impacto do home office na vida da gente e a liberdade que ele pode trazer. Para quem a vida remota funcionou e aumentou a produtividade, trabalhar de qualquer lugar abriu espaço para a realização de muitos dos sonhos antigos do mundo corporativo.

Esquecer a estrada de volta da praia no domingo a noite e poder trabalhar de lá na segunda-feira é só um pequeno pedaço do quanto a vida mudou. Mas tem gente que descobriu antes de tudo mundo o que significa não ter um endereço fixo num cartão de visita. Você já conheceu o estilo de vida dos nômades digitais. Antes do mundo do trabalho precisar ser todo reinventado, eles já estavam fazendo isso e trabalhando do outro lado da tela. A casa? Uma mochila nas costas! Imagine poder trabalhar de qualquer canto do mundo? Conhecer super metrópoles, explorar destinos escondidos, praias lindas e tudo isso não durante as férias e sim durante a vida. É isso que eles fazem.

Profissionais criativos, de TI, de comunicação, produtores de conteúdo são os principais impulsionadores desse estilo de vida. Eles precisam de boa conexão com internet, cidades com custo de vida relativamente baixo (não da pra ser nômade digital em Manhattan, certo?) e muita disciplina para trabalhar mesmo com o sol brilhando na praia mais linda numa segunda pela manhã. De acordo com o Digital Nomadism só nos Estados Unidos já há quase R$ 5 milhões de pessoas aderiram a este estilo de vida e o número só cresce.

Documento

você pode ler o estudo em inglês.

Por aqui a tendência é também crescente e está entre os temas mais interessantes de serem estudados sobre moradia. O significado da casa, a formação da comunidade, a expectativa das pessoas com a casa… Assim como o coliving , pauta para ouro dia, os nômades digitais têm dado pistas para nós de como serão as casas do futuro e do que todos nessa indústria precisam fazer para entender o espírito do tempo e caprichar na oferta de produtos e serviços.

Claro que não há nem haverá um único jeito de morar, porque não há um único jeito de viver. Mas você imagina num futuro próximo condomínios impedindo locações por curtos períodos ou mesmo contratos de locação apenas de 30 meses com uma lista infinita de exigências e garantias. O mundo está em movimento e a pandemia turbinou as transformações. A gente precisa caminhar junto com elas se quiser entender alguma coisa do que está acontecendo no mundo.

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