Morre o candidato que pretendia assumir a queda dos homicídios como tema do Governo Federal
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Morre o candidato que pretendia assumir a queda dos homicídios como tema do Governo Federal

Bruno Paes Manso

13 Agosto 2014 | 15h56

Uma estratégia nacional de combate aos homicídios capaz de direcionar as políticas nos estados e diminuir os mais de 50 mil assassinatos anuais que ocorrem no Brasil. A redução da criminalidade urbana seria uma das prioridades do discurso do candidato Eduardo Campos na campanha a presidente. Ele morreu hoje em acidente de avião em Santos. Essa era essa uma formas que o candidato buscava para se diferenciar dos seus concorrentes diretos, a candidata a presidente Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves.

No dia 13 de março, em Recife, Campos comandou pela última vez uma reunião do Comitê Gestor do Pacto pela Vida, iniciativa que introduziu no Estado em 2008 e que é apontada como um dos principais fatores na redução dos homicídios em Pernambuco. O governador avaliava que os resultados da queda dos homicídios poderia mostrar para os eleitores sua capacidade de bom líder e gestor.

Desde que assumiu o Governo, ele passou a se envolver pessoalmente com o tema, comandando mensalmente as reuniões do Pacto pela Vida, que ocorriam semanalmente na Secretaria de Planejamento do Estado. Recife, em 2006, era a capital mais violenta do País. A redução da taxa de homicídios começou a ocorrer em 2007 e, no ano passado, chegou a 29 homicídios por 100 mil habitantes, semelhantes à de 1981. A redução na capital acumula 66% em sete anos, enquanto no Estado chegou a 39%. A queda mais acentuada ocorreu em Recife justamente no ano passado, quando os homicídios diminuíram 24% em relação ao ano anterior. A capital pernambucana ficou 140 dias sem assassinatos.

Algumas medidas são apontadas pela equipe como as mais relevantes para a redução dos crimes. Pernambuco, por exemplo, foi dividido em 26 áreas assumidas conjuntamente por policiais militares e civis, o que estimulou a parceria entre as corporações. A medida foi semelhante à tomada em São Paulo em 1999. Nas reuniões semanais do Pacto pela Vida, esses policiais eram cobrados pelo cumprimento das metas e pelas soluções dos assassinatos em uma sala com mais de 50 pessoas, com a presença mensal do Governador. Os policiais das áreas campeãs de redução de homicídios passaram a receber bônus que podiam dobrar os salários.

Policiais do grupo de Atuações Especiais, que era considerado a unidade de elite local cuidando principalmente de sequestros, foram transferidos ao recém criado Departamento de Homicídio, que também se expandiu. Um dos focos dos investigadores de homicídios foi a Turma do Apito, formada por seguranças privados e que quase sempre tinha integrantes das polícias. Para garantir a ordem em seus territórios, a Turma do Apito matava, tema que fez parte, inclusive, do filme pernambucano O Som ao Redor. O extermínio provocava reação e grupos opositores se formavam, iniciando disputas territoriais intermináveis cujo combustível era a vingança. Segundo o Governo, mais de 500 integrantes desses grupos foram presos.

O principal, contudo, era seu papel de principal entusiasta do projeto, cobrando pessoalmente o cumprimento das metas.

Existiam também pontos vulneráveis na gestão da segurança de Campos, principalmente em relação ao sistema penitenciário. Nenhuma vaga foi construída em seu governo e o total de presos passou de 17 mil para 28 mil detentos. Uma das apostas era a construção de um complexo penitenciário em Itaquitinga com mais de 3 mil presos, via parceria público e privada. Mas a empresa responsável pela construção do presídio faliu e não acabou as obras. As facções, contudo, não chegaram ao status adquiridos em São Paulo. Por enquanto. Lá também são os presos que cuidam do dia a dia da prisão, a partir da figura do chaveiro, detento que, segundo aqueles que conhecem o sistema, coordena a rotina em cada um dos presídios. É também de dentro da prisão que o tráfico de drogas é gerido e se dissemina no Estado.

Entre as três principais metas que o candidato pretendia articular caso fosse eleito estavam:

1) Definir o arranjo do pacto federativo na área, estabelecendo mais claramente os papéis de estados e municípios no combate à criminalidade. Tornar a Federação uma das protagonistas nesse processo.

2) Aumentar e qualificar os investimentos em segurança pública

3) Criar uma estratégia nacional de combate ao homicídio