Bicicletas de bambu ficam abandonadas em CEU Paraisópolis
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Bicicletas de bambu ficam abandonadas em CEU Paraisópolis

Bruno Paes Manso

18 Setembro 2014 | 08h34

Dezenas de bicicletas de bambu estão encostadas e sem uso no Centro Educacional Unificado Paraisópolis, em São Paulo. O blog SP no Divã esteve no local no sábado e constatou com os frequentadores que os equipamentos estão esquecidos faz dois anos. As correntes, câmbios, aros e demais acessórios encontram-se em processo de deterioração. O projeto da Prefeitura, que buscava ensinar práticas de “sustentabilidade” e de “mobilidade” aos alunos de escola pública, vem mostrando como desperdiçar tempo, material e dinheiro público.

As bikes começaram a ser montadas em março de 2012, ainda na gestão de Gilberto Kassab. Havia uma fábrica que ocupava dois andares do CEU Jardim Paulistano, na Brasilândia, na zona norte, onde eram produzidos os quadros triangulares de bambu, todos colados com produto natural e depois encaixados aos acessórios. O uso do bambu em contraposição ao alumínio era justificado para economizar energia e conscientizar as crianças a respeito de questões relacionadas ao meio-ambiente. Testes davam conta de que o equipamento era resistente.

Além de produzir as bicicletas com estudantes, o projeto ensinava técnicas de deslocamento com o apoio de monitores para incentivar o uso das duas rodas entre o caminho de casa e à escola. Dicas sobre como formar comboios e diminuir os riscos de acidentes no transporte eram fornecidas a crianças de 12 a 14 anos.

O programa foi orçado em R$ 4,6 milhões e tinha a meta ambiciosa de produzir 4.600 bicicletas, mas apenas 1.700 foram feitas e entregues. As complicações começaram quando a ONG responsável pelo projeto, Instituto Parada Vital, que também mantinha convênio com os bicicletários do Metrô desde 2008, começou a ficar mal das pernas no final de 2012, decretando falência em seguida.

Nos últimos dois anos, durante a gestão de Fernando Haddad, o projeto acabou ficando de lado. “Começaram a faltar monitores ainda no segundo semestre de 2012”, explica o atual secretário da Educação César Callegari. “Também havia questionamentos sobre a segurança do equipamento e sobre os valores do contrato”. Representantes da gestão do ex-prefeito Kassab dizem que tanto a metodologia como as bicicletas foram deixadas em bom estado para que o programa tivesse continuidade na atual administração.

Apesar de cicloativistas ainda tentarem mediar com as escolas maneiras de dar um destino às bicicletas de bambu, o clima de litígio pode pôr em risco todo esforço empreendido até o presente momento. A atual administração criou uma comissão para avaliar medidas legais contra o contrato. O convênio também está sendo auditado pelo Tribunal de Contas do Munícipio, que questiona os valores pagos pelo município e a segurança das bicicletas de bambu.

Enquanto isso, os alunos seguem percorrendo o trajeto de casa à escola a pé, com centenas de bicicletas mofando à espera de uso.

PS: Sugestão de um cidadão e jornalista. Em vez de deixar as bicicletas estragarem, por que a Prefeitura não tenta:

a) Premiar com uma bicicleta os alunos com melhor nota em redação

b) Premiar com uma bicicleta os alunos com melhor nota em matemática

c) Premiar com bicicletas estudantes que desenvolvam bons projetos voltados aos seus bairros

d) Dar uma bicicleta para quem convencer os juízes do Tribunal de Contas do Município e os burocratas da Prefeitura de que é preciso resolver o problema com urgência, antes que todas as bicicletas se estraguem. Nesse caso, eu daria dez bicicletas para o mágico autor da façanha.