Bueiro causa problemas na ponte João Dias. Há décadas

Estadão

09 de outubro de 2010 | 07h00

Os primeiros 50 metros da Avenida Maria Coelho Aguiar, zona sul, espremidos entre a Marginal Pinheiros, a avenida e o Terminal João Dias, tem um bueiro de cada lado da rua. As pistas são estreitas e o movimento de pessoas durante o dia e o começo da noite é intenso. Ali passam diariamente milhares de veículos e ônibus, indo e vindo da Marginal, do terminal, do extremo sul de São Paulo, da região de Santo Amaro e etc. Ali também passa a linha 5-lilás do Metrô.

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Apesar do bueiro nos dois lados da rua, por causa de um pequeno declínio a água só se acumula de um lado da via, onde existe um posto de gasolina e alguns pontos de comércio. Além disso, a rua forma uma espécie de “vale” neste ponto, o que facilita o acúmulo das águas pluviais. O problema é que o bueiro, que seria o único escape para essas águas, está quebrado e completamente lotado de lixo.

José Noel, 37 anos, que é gerente do posto de gasolina no qual o bueiro está instalado, conta que trabalha no local há cerca de 15 anos e, desde então, sempre que cai uma chuva ligeiramente mais forte, é a mesma coisa:  entupido, ele não consegue dar conta do volume de água. E aí entram os alagamentos. “Já vi muitas vezes o pessoal da Prefeitura vir aqui, consertar, limpar, mas nunca dura muito tempo”, relata.

O gerente também conta que uma limpeza do bueiro foi feita há não muito tempo, porém uma carreta acabou desfazendo todo o serviço. “É sempre assim: eles arrumam, refazem o concreto, colocam uma grade, ai passa um caminhão mais pesado e destrói tudo”, explica. Uma mureta foi construída na calçada do posto de gasolina para evitar que a água ocupe toda a sua frente.

A história de alagamentos na Avenida Maria Coelho Aguiar, de acordo com Eduardo Araújo, dono de um estacionamento, vai longe. “Eu tenho 29 anos e desde criança vejo isso aqui encher”, diz. “Este estacionamento foi construído pelo meu avô e tem pelo menos uns 50 anos e o problema vem desde essa época. Quando enche, nem ônibus consegue passar”, afirma.

Araújo também tem uma teoria para explicar os alagamentos. “Um amigo meu, que trabalhou na construção do Metrô [Linha 5-lilás], me disse que isso acontece porque o encanamentos que leva as águas da chuva para o Rio Pinheiros são pequenos demais para o volume de água”, acrescenta ele, que também teve que elevar em alguns centímetros o piso do estacionamento, para que ele não fosse invadido pelas águas. Todos os outros estabelecimentos do trecho também fizeram modificações parecidas.

“A água não sobe muito, já que depois de certa altura, ela começa a escorrer ali para o túnel, onde não enche”, explica o vendedor Francisco Luiz da Silva, 69 anos. O fato curioso é que o esse “túnel” fica em num nível ainda mais baixo em relação à avenida, mas Noel nos contou que a rede de escoamento da água ali funciona muito bem. “Antes ali ficava cheio, mas fizeram uma manutenção no esgoto e já faz alguns anos que não temos problemas naquele pedaço”, completa o dono do posto.

Francisco e a esposa há pelo menos dez anos montam, todos os dias, uma pequena barraca e vendem meias, gorros de lã, pilhas, dentre outros produtos. “Quando chove forte, não dá tempo para nada. A água sobe rápido e às vezes não conseguimos tirar a mesinha a tempo de salvar a mercadoria. Já tivemos prejuízos umas duas vezes”, relata Francisco, que só chega ao ponto depois das 17h: “se chegar antes, os ‘guardas’ levam tudo.”

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Devido à proximidade com o Centro Empresarial de São Paulo, milhares de pessoas passam ali diariamente, de carro ou a pé. Portanto a quantidade de lixo que se acumula nas calçadas e nas valetas é grande. “Você pode ficar o dia inteiro ai na frente varrendo o chão que não adianta nada. O movimento é grande durante todo o dia”, reclama Alex de Oliveira, vendedor em uma das lojas vizinhas ao posto.

Outro fator que complica ainda mais a situação de quem usa a avenida é a proximidade com o Terminal João Dias e com a Marginal Pinheiros. O movimento de ônibus é grande e, nos horários de pico, grandes filas se formam, principalmente no sentido bairro da via, que é justamente o lado onde os alagamentos ocorrem. E, mesmo sem chuva, o trânsito na região é muito complicado. Um engarrafamento no acesso à avenida reflete no fluxo terminal, da marginal e da Ponte João Dias, causando um efeito em cascata que pode afetar diretamente vários quilômetros de vias.

A reportagem entrou em contato com as assessorias da Subprefeitura de Santo Amaro, da Secretaria de Infra-Estrutura Urbana e com a Coordenadoria de Subprefeituras de São Paulo durante toda a semana, via e-mail e telefone, porém não recebeu nenhuma informação sobre obras e limpeza na região.

Quem aposta que neste verão a história se repete?

Eduardo Roberto

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