Culpa do bueiro

Estadão

01 de outubro de 2010 | 09h14

Choveu um pouco mais e pronto: nova enchente na Avenida Alexandre Colares com a Marginal do Tietê. E a culpa é de quem? De dois bueiros que não cumprem o papel a que foram designados – o de escoar corretamente a água. “Esses bueiros são falsos”, diz Luiz Eduardo Silva, supervisor de vendas da empresa Aços Finos Tarumã, que fica exatamente na esquina que sofre com os alagamentos. “Qualquer chuvinha mais forte, como a de segunda (dia 27), a água já sobe, os bueiros transbordam e não dá para trafegar”, conta.

Ao contrário do que se possa imaginar, essas valetas – como também são chamados os bueiros – são limpadas regularmente, mas não resolvem a situação. “Só esse ano, eu já contei que a Prefeitura mandou equipe de limpeza umas oito vezes. Mas é só chover de novo que tudo recomeça”, diz. Vale lembrar que o lixo jogado na rua e acumulado ao redor dos bueiros – fato verificado pela reportagem – também contribui para o problema.

Apontada pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) como um dos pontos de inundação da cidade, a avenida Alexandre Colares fica próxima à Ponte Atílio Fontana, sentido Rodovia Castelo Branco. Ambas são acessadas pela Marginal do Tietê que, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), é a via que concentra o maior volume de veículos por dia: cerca de 350 mil. Com esse problema dos bueiros, o trânsito no local é comprometido quase toda vez que chove, além dos riscos que a água parada oferece aos pedestres.

Outro fato importante: apesar dessa avenida ser um pouco vazia, quase completamente tomada por empresas e transportadoras, existe um bar perto das valetas e também duas comunidades instaladas nas ruas ao lado, que utilizam a saída da Marginal. A moradora Maria José de Souza, que vive há 15 anos na comunidade ‘Razzo’ – localizada entre a Marginal e a Avenida Joaquim da Costa Miranda –, conta que os alagamentos são grandes obstáculos. “Já ficamos presos aqui várias vezes por causa de inundação”, diz. “Para tentar sair, temos de andar muito pelas ruas de trás porque não dá para passar ali perto da Marginal que, na maioria das vezes, é o caminho mais fácil para gente”.

De acordo com a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o mau funcionamento dos bueiros nesse local já foi detectado. Para resolvê-lo, será construída uma galeria na pista local da Marginal do Tietê, de modo a minimizar as inundações. Galeria é um sistema de dutos subterrâneos utilizados para conduzir as águas pluviais captadas pelas estruturas de microdrenagem, como os bueiros e as bocas de lobo, que serão liberadas em córregos e rios. Segundo informou a Secretaria, essa obra – que ainda não começou – ficará pronta na primeira quinzena de novembro.

Em entrevista concedida ao Estado nesta quarta-feira, 29, o prefeito Gilberto Kassab confirmou a data citada acima para o término de alguns projetos, entre eles a galeria da Avenida Alexandre Colares, e também complementou dizendo que a cidade vai estar mais preparada para as enchentes no próximo ano. De acordo com o prefeito, a verba prevista para ações como limpeza de bocas de lobo e substituição das galerias pluviais será elevada em 2011 para R$ 540 milhões.

O blog vai acompanhar essas promessas.

Wanise Martinez

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