Ano extraordinariamente chuvoso…

Estadão

18 Janeiro 2011 | 18h10

Luiz Rangel, do Arquivo

“O ano entrou extraordinariamente chuvoso, provocando uma série interminável de acidentes…” A frase, que poderia vir destacada em qualquer noticiário atual, tem mais de cem anos. Seu autor, Antonio de Almeida Prado, já anunciava em sua Crônica de Outrora: “Em 1900 rompeu o novo século. E rompeu mal.”

O Estado de S. Paulo. 1º de fevereiro de 1900.

O recuo no tempo mostra que a história das enchentes esteve sempre presente na história de São Paulo. E trata-se de um problema que foi aumentando conforme a cidade foi crescendo. Em seu livro Cidade das águas: Usos de rios, córregos, bicas e chafarizes em São Paulo (1822-1901) a historiadora Denise Bernuzzi de Sant´Anna lembra que “em pleno verão de 1900, os bairros do Brás, Cambuci e Barra Funda estavam inundados pelas águas barrentas do Tietê.” E mais de um século depois as notícias dos jornais de antigamente ainda mostram-se atuais.

O Estado de S. Paulo. 28 de fevereiro de 1929.

A questão da ocupação irregular de terrenos com risco de alagamento como se este fato fosse exclusivo do presente, mas a cidade sempre ocupou as margens de rios. Áreas pavimentadas chegam a cobrir grandes porções dos cursos fluviais e até córregos inteiros. Tão históricas quanto as inundações são as reivindicações da população paulista, cobrando das autoridades a tomada de medidas de combate e prevenção aos danos decorrentes das chuvas.

A Província de São Paulo. 7 de março de 1877.

Projetos de drenagem do rio Tamanduateí, por exemplo, remontam a 1827, segundo a historiadora. Outros projetos contra enchentes são ainda mais remotos. Em 1810, por exemplo, a Várzea do Carmo já ganhara uma vala na tentativa de acomodar os alagamentos.

Presente na história colonial, imperial e republicana da cidade e com as autoridades pouco fazendo para amenizá-lo, o problema das enchentes ainda está longe de ser lembrança de um passado distante.

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