Água, ratos e muita sujeira

Estadão

24 de novembro de 2010 | 07h48

O cheiro é forte. Uma mistura de lixo com odor de mofo, de coisa guardada sem secar. Essa é a Rua Darzan, em dia pós-chuva, ainda com resquícios de alagamento. Cortada pela Avenida Cruzeiro do Sul, ela está dividida em duas partes. Uma termina na Rua Dr. Zuquim e a outra na Rua Voluntários da Pátria. Apesar de mais curto, esse segundo trecho enche d’água sempre que chove. E com a água vem o lixo, o mau cheiro, os ratos e a sensação de descaso, mais uma vez.

Quem vive essa situação há 13 anos é o comerciante Euclides dos Reis Coimbra, dono de um bar no número 125 da Rua Darzan. Localizado quase na esquina, o estabelecimento já foi alagado tantas vezes que Euclides perdeu as contas. “É só bater uma chuvinha e pronto. Já fica tudo cheio por aqui. Não passa carro, nem pedestre. E meu bar fica de água até aqui ó”, diz o comerciante, apontando a marca que a água fez em sua parede. “Já perdi freezer, geladeira, um monte de mercadoria. Não tem jeito. Mesmo com a porta fechada, a água entra e aí depois fica aquele monte de água suja”, conta.

De acordo com Euclides, existem dois problemas graves que causam enchentes no local: o desnível da rua e os bueiros que não escoariam corretamente a água. “Esse trecho da Darzan é mais baixo do que as outras ruas, por isso ela acaba funcionando como uma bacia que recebe todo o volume de água e lixo que vem da Cruzeiro do Sul e também da Voluntários”, explica. “Para piorar, os dois bueiros que existem na rua não foram construídos com os diâmetros do tamanho certo, então não conseguem mesmo suportar tudo o que chega”, diz o morador.

O comerciante afirma que liga a cada 8 dias para o 156 limpar essas valetas, e que sempre é atendido pelo serviço da Prefeitura. Entretanto, só a limpeza não basta. “O problema é estrutural. E a situação piora com o tanto de lixo jogado nas ruas, que depois é trazido pela água e desemboca aqui na Darzan”.

Moradora da rua há 32 anos, a dona de casa Vera Lúcia Abolafio também reclama das enchentes. Além de culpar o acúmulo de lixo, ela acrescenta mais um agravante à situação: os ratos. “Quando chove por aqui, ainda que só um pouquinho, já é motivo para aparecer um monte de ratos. E não são daquele tipo pequeno não. São daqueles grandes, do tamanho de coelhos. Um horror”, reclama.

Ela relata que, frequentemente, chama o serviço de Controle de Zoonoses para verificar o local. A equipe coloca remédio para exterminar os ratos, mas é só chover que os roedores ressurgem. “Não adianta só matar na hora ou limpar o lixo daquele dia. Os ratos aparecem porque a sujeira aumenta com a água. As pessoas precisam aprender a não jogar as coisas em qualquer lugar. Como a rua é mais baixa, e esse é um outro problema que nós também reclamamos, tudo fica parado aqui. E assim, a Darzan vai ser sempre um depósito de lixo”, conta a moradora.

O blog entrou em contato com a Subprefeitura Santana/Tucuruvi para questionar quais medidas poderiam ser tomadas para solucionar os problemas citados acima. Segundo o órgão, os serviços de limpeza e varrição na Rua Darzan acontecem 2 vezes ao dia, de segunda a sábado, e são reforçados com o objetivo de prevenir os alagamentos. 

A Subprefeitura também afirma que o local é constantemente visitado pelas ‘Operações cata-bagulho’ – que tem como objetivo educar a população sobre as formas corretas de se desfazer de objetos e materiais que não têm mais uso. Dados da última operação realizada, em dois de outubro, indicam que foram recolhidos mais de cinco toneladas de materiais entre a Avenida General Ataliba Leonel e a Rua Conselheiro Saraiva – região central de Santana que engloba a Rua Darzan. 

De acordo com o órgão, uma equipe de limpeza percorre a Cruzeiro do Sul, diariamente, recolhendo materiais deixados por moradores de rua e fazendo a lavagem dos locais. Esse serviço teria maior concentração no centro de Santana, nas proximidades da estação Santana do Metrô, que fica localizada a menos de duas quadras da Rua Darzan.

A Coordenação das Subprefeituras também foi procurada pelo blog para explicar o problema estrutural da rua, o desnível em relação às outras apontado pelos moradores como fator preponderante para a ocorrência de enchentes. O órgão, no entanto, afirmou que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Nossa reportagem ainda conversou com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para falar sobre o grave problema dos ratos. A resposta foi dada pela Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa), vinculada à Secretaria, e diz que de 1º de outubro até 23 de novembro foram atendidas nove solicitações de desratização na Rua Darzan com a Avenida Cruzeiro do Sul. De acordo com a Covisa, uma equipe da Supervisão de Vigilância em Saúde (Suvis) esteve no local nesta última segunda, 22, e verificou que existe uma obra próxima à rua que pode estar provocando a migração dos ratos, em função das vibrações no solo. Outro aspecto apontado pela equipe é o grande volume de lixo jogado na rua, fato que dificulta a aplicação de iscas raticidas, contribui para o entupimento dos bueiros e obriga a saída dos roedores para as ruas e por locais como vasos sanitários de ligações clandestinas de esgoto. A Covisa também informou que mantém um monitoramento da região em seu cronograma.

link Veja também: Menos lixo, mais qualidade de vida

 

Wanise Martinez

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