Tomadas padrão Inmetro

Tomadas padrão Inmetro

Luciana Magalhães

17 Julho 2014 | 12h00

O instituto desconhece a realidade brasileira, defende leitor

Por Luciana Magalhães

Reclamação do leitor: Adquiri um aquecedor de ambiente e, ao tentar ligá-lo, notei que os dois pinos do plugue eram mais grossos e inexistia o pino terra. Ou abria o furo da tomada padrão Inmetro atual de 3 pinos com furadeira ou então comprava um adaptador. Ao reclamar com a empresa do aquecedor, fui informado de que o padrão recomendado pelo Inmetro é esse mesmo. Pelo visto serei obrigado a providenciar dois tipos de tomada, uma ao lado da outra. Uma de padrão normal adotado há poucos anos e que aborreceu os consumidores e outra tomada especial de dois pinos para plugue “padrão grosso” ou o adotado na China! É isso mesmo, Inmetro? Frederico Fontoura Leinz / São Paulo

Resposta: O Inmetro informa que fez diversas tentativas de contato por telefone e deixou contato de um técnico para esclarecer todas as dúvidas do leitor. Esclarece que, por ocasião do estabelecimento do padrão brasileiro de plugues e tomadas, o Brasil convivia com mais de uma dezena de modelos. Seus formatos diversos, somados às diferentes potências dos aparelhos, tornavam o simples ato de ligar um produto à tomada uma ameaça à segurança do consumidor. Essa situação obrigava o consumidor a fazer uso indiscriminado de adaptadores, entre outros transtornos. Para enfrentar os riscos e os incômodos dessa realidade, tornou-se obrigatório, a partir de dezembro de 2006, o Padrão Brasileiro de Plugues e Tomadas. A decisão foi tomada pelo Conmetro (Conselho Nacional de Metrologia, Normalização Qualidade Industrial), ao final de quatro anos de estudos e após consultas e audiências públicas, onde foram ouvidos todos os segmentos da sociedade envolvidos, como indústria e consumidores. A decisão do Conmetro foi incentivada também pelas estatísticas de acidentes. O Padrão Brasileiro de Plugues e Tomadas foi concebido para atender  3 critérios fundamentais: prover maior segurança ao consumidor, ser compatível com a maioria das instalações já em uso e ter a melhor relação custo-benefício. O modelo segue a norma internacional da IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional). O terceiro pino do plugue funciona como fio terra, cuja função é evitar que o consumidor sofra um choque elétrico ao ligar aparelhos que estejam em curto-circuito. Por fim esclarecemos que o padrão é compatível com 80% das atuais instalações elétricas usadas no Brasil, não havendo necessidade de trocas na maioria dos casos. No entanto, nos 20% dos casos não adaptáveis, o método mais seguro para evitar acidentes será a troca das tomadas e dos plugues dos aparelhos. E, para os consumidores que não desejarem realizar as trocas, o Inmetro recomenda o uso de adaptadores certificados, que atendam aos requisitos mínimos de segurança estabelecidos por regulamento do Instituto.

Réplica do leitor: Realmente o Inmetro entrou em contato pelo telefone e deu suas justificativas. Os pinos grossos do plugue são devido à maior demanda de energia dos aparelhos de aquecimento ambiente. OK, no entanto,o Instituto desconhece a realidade brasileira ao afirmar que “o padrão é compatível com 80% das atuais instalações elétricas usadas no Brasil, não havendo necessidade de trocas na maioria dos casos”. Com certeza inverteu os porcentuais. O padrão imposto aos brasileiros, aquele de 3 pinos, encontra-se em residências construídas após o padrão definido em 1998. As instalações antigas continuam utilizando as tais tomadas adaptadoras! Sobre a ausência do terceiro pino (terra) exigido em todas as tomadas de padrão novo, justifica-se porque a “maioria’ desses aparelhos já vêm com sistema interno de aterramento. Ficou bem claro, a maioria! Questionei por que não instituíram de início uma tomada para pinos grossos que então serviria para qualquer aparelho, inclusive aquecedores. Fiquei sem resposta!

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