Produtos falsos já enganaram metade dos consumidores, aponta pesquisa

Produtos falsos já enganaram metade dos consumidores, aponta pesquisa

Marco Antônio Carvalho

19 de maio de 2015 | 13h11

SPC Brasil alerta para os riscos da aquisição de produtos piratas; pesquisa mostrou que mais de 45 milhões de brasileiros já compraram falsificados

Quase metade dos consumidores brasileiros relataram terem sido enganados ao adquirirem produtos falsos acreditando serem originais. A situação foi constatada em pesquisa conduzida pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) divulgada nesta terça-feira, 19. A entidade pede atenção para as características do produto e o local em que é comercializado.

Brinquedo é vendido em meio ao trânsito de São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão

Brinquedo é vendido em meio ao trânsito de São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão

Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados já foram enganados no momento da compra. “Entre réplicas e falsificados, muitas vezes é difícil diferenciar os produtos do original. Isso facilita a enganação por parte dos vendedores”, explicou em nota Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil. “O ambiente da compra pode ser um importante fator para o consumidor se atentar. Independentemente se for em uma loja de rua, shopping popular ou supermercados, é válido reparar na qualidade do produto e informações da marca que visam diferenciar o verdadeiro do falso.”

A pesquisa foi realizada entre os dias 23 de fevereiro e 3 de março, tendo ouvido 945 pessoas nas 27 capitais brasileiras. A margem de erro apontada é de 3,2 pontos percentuais para um intervalo de confiança de 95%.

Para a entidade, a escolha entre um produto original ou falsificado está ancorada, basicamente, em seu custo: a pesquisa estimou que mais de 45 milhões de consumidores já adquiriram itens não originais, ao menos uma vez, o que corresponde a 69% dos entrevistados, sendo que o preço mais baixo é a principal justificativa para a compra (59%).

Entre as marcas mais procuradas estão Nike (33%), Adidas (30%), Lacoste (29%), Ray-ban (21%), Louis Vuitton (20%) e Samsung (20%). Já os itens mais comprados são roupas (39%), acessórios (24%), calçados (22%), eletrônicos (17%) e perfumes (14%), sendo que a pesquisa sugeriu que os produtos falsificados costumam ter maior apelo entre os respondentes mais jovens, da Classe C e com baixa escolaridade.

Pirataria. Segundo o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Junior, além da discussão sobre qualidade ou constrangimento do consumidor, a compra e venda de produtos não originais envolve problemas e discussões muito maiores. “O comércio de itens falsificados definitivamente representa um prejuízo para a economia do país e graves riscos para a saúde e o meio ambiente, uma vez que os produtos não passam pelas restrições do controle de qualidade impostas ao mercado legal da indústria”, afirmou em informativo do SPC.

O presidente afirmou que frequentemente a fabricação de falsificados está inserida em um contexto de exploração da mão de obra, com baixíssimas remunerações e péssimas condições de trabalho. “Esse mercado pode servir para financiar uma série de outras atividades criminosas”, alertou Pellizzaro.

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