‘A reciclagem na cidade de São Paulo é praticamente inexistente’

Jerusa Rodrigues

30 de outubro de 2013 | 20h30

Autor do livro Os Bilhões Perdidos no  Lixo, Sabetai Calderoni – doutor em Ciências pela USP, consultor da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial e presidente do Instituto Brasil Ambiente -,  responde algumas questões sobre o problema do lixo na cidade  enviadas pelo jornal.

Por Jerusa Rodrigues

– Qual a opinião do senhor sobre o serviço de coleta de lixo e reciclagem na cidade de São Paulo?

O serviço de coleta de lixo domiciliar cobre todos os bairros da cidade, com regularidade e é um excelente serviço.

Já a reciclagem é praticamente inexistente, ficando em cerca de 2% do total.  Isso significa que o Município tem de transportar e enterrar um volume equivalente a um estádio do Pacaembu por dia.

A Prefeitura gasta R$ 1,5 bilhão por ano com essa gigantesca operação, quando poderia economizar cerca de dois terços desse total, ou seja, R$ 1 bilhão por ano, se praticasse a reciclagem em centrais de reciclagem integral de resíduos.

– Como isso poderia ser feito?

Isso poderia ser feito por meio de parcerias com o setor privado, as chamadas Parcerias Público Privadas (PPPs), evitando o uso de dinheiro público nos investimentos e ainda gerando empregos, renda, impostos, novos negócios e equilíbrio ambiental.

– Por que há tanto descarte irregular na cidade?

O descarte mais grave é o do entulho da construção civil.  A média brasileira desse tipo de descarte é de um volume maior do que o de lixo domiciliar.  A disposição é feita de maneira clandestina, em sua maior parte.

Os geradores têm a obrigação legal de dispor corretamente o entulho, mas a maioria deles prefere evitar os custos envolvidos. Por isso acabam por jogar  em córregos, rios, morros, áreas públicas e particulares.

– O que poderia ser feito para coibir essas irregularidades?

Para a construção civil, se houvesse uma política de reciclagem envolvendo o momento do licenciamento da obra e a concessão do Habite-se isso não ocorreria.

Já para o cidadão comum, cujo descarte de pequenos itens é feito geralmente na rua, uma maneira eficiente de coibir é a aplicação de multas, como já ocorre no Rio de Janeiro e em vários outros países.

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