Primeira bicicleta do filho? Evite as rodinhas

Primeira bicicleta do filho? Evite as rodinhas

No segundo post sobre como pedalar com crianças, veja como escolher a primeira bicicleta

Alex Gomes

09 Maio 2016 | 08h40

Colaboração: Mário Canna Pires / cicloubano.com.br

Na sequência à série de posts sobre como pedalar com crianças (confira o anterior aqui), é a hora de falarmos sobre o que fazer e o que não fazer quando chega a fase da criança dar suas primeiras pedaladas, o que costuma ocorrer por volta dos 2 anos de idade.

Vamos começar falando sobre um acessório popular que é justamente o responsável pelo trauma de muitos pequenos ciclistas: as rodinhas. Apesar de elas terem feito parte da história de muitos dos adultos que hoje pedalam, elas também são o motivo de outros tantos nunca terem conseguido aprender a pedalar.

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Com as rodinhas, uma bicicleta deixa de ser um veículo de duas rodas para funcionar como um quadriciclo. Assim, a criança não desenvolve uma habilidade fundamental para andar de bicicleta: o senso de equilíbrio. As rodinhas deixam a bicicleta totalmente estável e assim a criança é condicionada apenas a fazê-la se mover. Além disso, elas tornam bem mais complicadas a execução de movimentos que qualquer ciclista faz com naturalidade, como uma simples curva, e fazem com que seja praticamente impossível pedalar em pisos irregulares.

Agora ficou mais fácil entender por que é tão traumático o dia em que se tenta fazer a criança pedalar sem rodinhas. Por isso, evite dar esse tipo de presente-problema para o seu filho. Prefira o que a maior parte dos especialistas considera como ideal para o aprendizado: a bicicleta de equilíbrio, também conhecida como “balance bike”.

Learning to ride on a first bike

Esse tipo de bicicleta, sem pedais, proporciona um rápido e seguro aprendizado, pois faz com que a criança foque sua atenção em se manter equilibrada. Além disso, ela oferece uma maior sensação de segurança à criança, que consegue estar montada com os pés apoiados no chão como se estivesse em pé, algo praticamente impossível em uma bicicleta com rodinhas. Mais uma vantagem: na bicicleta de equilíbrio, a criança consegue circular nos mais variados tipos de terrenos, com agilidade para transpor elementos como barreiras ou buracos.

Além do mais, na bicicleta de equilíbrio, o selim pode ser posicionado a 30 cm do chão, mais baixo do que os 40 cm mínimos da bicicleta infantil com pedal. Logo, é muito mais adequada para os menores, que têm as pernas mais curtas.

E como dica geral, considere sempre a relação entre a anatomia da criança e o tamanho da bicicleta. Um erro comum de muitos pais é comprar uma bike com proporções maiores que as da criança com vistas a um aproveitamento futuro. Ao pedalar em uma bicicleta assim, a criança tem mais dificuldade de manter o controle, o que motiva em muitas a reação de saltar da bicicleta em movimento, uma vez que não conseguem parar. Outra dica: evite os modelos com rodas de plástico (identificadas como E.V.A). Elas empenam com a ação do sol e não permitem reparo.

Como base para pesquisa sobre o tamanho de bicicleta ideal para a criança, utilize a tabela abaixo. É uma referência genérica que define o tamanho de bicicleta infantil recomendada por meio de uma associação entre a idade, a altura do cavalo e o tamanho da roda (medida que determina as proporções das outras peças). Por ser uma referência genérica, é importante uma conversa com profissional de uma bicicletaria para verificar o tipo ideal de bicicleta para a criança.

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Caso você já tenha uma bicicleta infantil com pedais e queira ensinar uma criança a pedalar, é possível retirar essas peças e assim transformá-la em uma bicicleta de equilíbrio, podendo assim recolocá-os quando a criança aprender a se equilibrar. Uma criança acostumada a usar uma bicicleta de equilíbrio consegue migrar para um modelo com pedais de forma praticamente intuitiva, pois como já sabe se equilibrar, precisará somente aprender como movimentar os pedais, algo muito mais simples.

No próximo e último post desta série sobre pedalar com crianças vou mostrar a experiência de uma mãe e filha que pedalam há anos pelas ruas de São Paulo.