Plano de Mobilidade Urbana não é um ‘delírio cicloviário’

Plano de Mobilidade Urbana não é um ‘delírio cicloviário’

Com seu recém publicado Plano de Mobilidade, São Paulo tem uma chance concreta de solidificar o necessário uso da bicicleta na cidade

Alex Gomes

06 Abril 2016 | 12h14

Desde 2015 São Paulo possui um Plano de Mobilidade Urbana, também chamado de PlanMob. Fruto de estudos técnicos e discussões com a sociedade, foi instituído por meio de decreto municipal e estabelece metas para a melhoria da mobilidade urbana na cidade para os próximos 12 anos, com ênfase nos transportes públicos e nos modos ativos de deslocamento, ou seja, os feitos por pedestres e ciclistas.

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Foi elaborado em conformidade com a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que obriga todos os municípios do País com mais de 20 mil habitantes a desenvolver um Plano de Mobilidade.

Com relação ao uso da bicicleta, o PlanMob estabelece como meta para São Paulo ter a seguinte estrutura até 2028:

– 1,6 mil quilômetros de vias para bicicleta (ciclofaixas e ciclovias);

– um bicicletário público municipal em cada uma das áreas das 32 subprefeituras;

– a expansão do sistema público de compartilhamento de bicicletas em todo o território do município.

Se for bem sucedido, o PlanMob tem condições de estabelecer de forma sólida o papel da bicicleta como meio de transporte na cidade, algo plenamente justificável pelo aumento crescente de ciclistas na capital (entre 2013 e 2014 foi de 50%) e pelo grande desejo da população em utilizar a bicicicleta nos deslocamentos diários (44% dos paulistanos têm interesse em começar a usar a bicicleta como meio de transporte, conforme pesquisa Ibope, Rede Nossa São Paulo e Fecomercio SP), o que rebate a análise que o acusa de delírio cicloviário.

Soma-se a isso outras importantes perspectivas de ganho para a cidade, como a redução da poluição e a diminuição da incidência de doenças ligadas ao sedentarismo, como hipertensão e infarto. O incentivo ao uso da bicicleta também resulta em um fenômeno interessante: o aumento da segurança no trânsito. Isso porque quanto maior a presença de ciclistas nas ruas, menos acidentes ocorrem, uma vez que os motoristas tendem a adotar um comportamento melhor. É o que comprova um estudo feito pela Universidade do Colorado em Denver, EUA.

O avanço das políticas cicloviárias também proporcionará vantagens ao comércio. Por transitar em uma velocidade bem mais lenta que a dos carros, o ciclista é um consumidor em potencial, pois consegue estar mais atento às fachadas de lojas. Nova York vem se tornando um exemplo de como o incentivo ao ciclismo se traduz em lucro: após a implantação de uma ciclofaixa na 9ª Avenida, entre as Ruas 23 e 31, o comércio local teve um aumento de vendas de 49%. E é importante citar que a infraestrutura cicloviária que foi implantada em Nova York, feita predominantemente com ciclofaixas, é semelhante à que vem sendo feita em São Paulo.

Por esses fatores é importante que o PlanMob seja executado ou mesmo aprimorado pelas futuras gestões municipais da cidade (como é regulamentado por um decreto e não por lei, nada impede que um futuro gestor simplesmente o anule). Quanto a nós, membros da sociedade, fica como “lição de casa” exercer nossa cidadania e manter as autoridades pressionadas para que o PlanMob seja corretamente executado, sem improvisos e sem obras feitas no popular esquema do “tirar da frente”.

O texto integral do PlanMob pode ser lido aqui. E para quem ainda argumenta que há fatores que impedem a disseminação do uso da bicicleta em São Paulo, como condições topográficas e temperatura, confira a falácia de tais ideias nesse post.