“Pedalo com minha filha há 6 anos, todos os dias”

“Pedalo com minha filha há 6 anos, todos os dias”

No útlimo post da série sobre pedalar com crianças, a experiência de uma mãe e filha que há 6 anos percorrem São Paulo de bicicleta.

Alex Gomes

16 Maio 2016 | 10h58

 

 

 

silvia ballan

“Três quilômetros na ida e mais três na volta, todos os dias há 6 anos. Mais de 10 mil quilômetros pedalados. Caraca, até me assutei com essa conta rápida. Sim, em todos os dias desses 6 anos pedalo com minha filha, a Nina. Pedalamos todos os dias, no clima que for. Nos divertimos mesmo quando é só um passeio curtinho até a pracinha e cai aquela chuva ou nos mais longos, como fazemos com a ajuda de amigos Bike Anjos, da Faria Lima até a Barra Funda passando pela Augusta. Incrível.

Pensar em pedalar com essa baixinha, enquanto escrevo esse texto no dia do aniversário dela, 15 de maio, me inspira. Ela chega aos 9 anos com 24 kgs. Valeu Nina. Sua companhia não podia ser melhor. Levinha, engraçada e observadora. Me assusta imaginar esses 6 últimos anos com ela em uma situação contrária à que vivemos: fechada no carro por mais de 10 mil quilometros. Isso poderia signifcar economia de tempo, mas não importa pra mim: prefiro qualidade do tempo.

Pedalar com a Nina pra escola me fez perceber como a criança pode aprender tudo ao ar livre. Outro dia a carroça de um carregador de papel ficou presa em um buraco e os pedestres foram ajudar. Olhei para trás e perguntei: ‘Nina, você viu?’Ela, sorridente, responde: ‘Vi sim, mãe. Que bonito!’ E com a bicicleta ela vai aprendendo a ser cidadã: um dia eu disse pra ela que iríamos sair um pouco atrasadas e ela rapidamente me adverte: ‘Não pode correr, não pode buzinar! O atraso é seu, não dos outros e quando você buzina você divide o seu problema com a cidade. Tá errado.’ E assim vivemos esses 6 anos, percorrendo a cidade nessa pequena estrutura de metal com duas rodas que ganhei do meu pai em 1994, com duas mochilas, uma lancheira e às vezes algumas compras. Movidas a arroz com feijão. Talvez esse seja o maior presente que já dei pra esta menina. E é daqueles que não precisa desembrulhar: está dentro de nós.”

Silvia Ballan, 42 videomaker ou bikerepoter ou vídeoreporter

 

“Oi. De bike você não pega trânsito, fica do lado de fora e consegue ver melhor as coisas. Eu vejo na rua muitos carros parados, mas quando vou de bicicleta não fico parada. Eu e a mamãe vamos mais na calçada porque na rua é muito perigoso e não tem ciclovia. Não tem muitas rampas boas e a mamãe tem medo de cair. Ah, tem uma parte do caminho que tem uma planta que parece um ovo frito.

Eu gosto quando a mamãe usa o reboque, daí eu fico andando de perna aberta e com os bracos abertos. É muito divertido porque eu consigo pedalar com a mamãe e, se eu cansar, eu não preciso pedalar e a mamãe pedala pra mim! Eu gosto de ventinho no rosto e de ladeira, mas tenho um pouco de medo de ladeira grande. Tem as que são menores e aí eu gosto, parece uma montanha russa. Ir pra escola é legal porque é muito melhor, divertido, engraçado, tem ventinho. Eu vejo muito motorista barulhento e não tem muita gente educada, tem poucos. Estão sempre andando muito rápido e por isso a gente não vai o tempo todo na rua. Mesmo assim ir de bicicleta é muito divertido e legal. I love my bike.”

Marina Ballan Mendes (Nina), 9 anos

 

Confira os outros dois posts da série sobre pedalar com crianças aqui e aqui.