Para Marina, que pedalou por uma São Paulo mais humana

Para Marina, que pedalou por uma São Paulo mais humana

Alex Gomes

08 de novembro de 2020 | 16h18

“A Marina foi atropelada e não sobreviveu”. Na manhã de hoje, domingo, 8 de novembro, muitos ciclistas de São Paulo, do Brasil e, arrisco dizer, de outros países, ficaram em choque quando souberam da notícia. 

 

Sou um deles. Enquanto escrevo, lido com a tristeza e a incredulidade em saber que Marina Harkot, que por muitos anos colaborou com o cicloativismo na cidade e com pesquisas sobre as condições das mulheres no ciclismo, teve sua vida ceifada por um motorista. Nessa madrugada, ele a atropelou na avenida Paulo VI e fugiu sem prestar socorro.

Há tempos combinamos que ela iria me detalhar, para publicar aqui no blog, seus estudos sobre os desafios que milhares de mulheres enfrentam ao pedalar diariamente em São Paulo.

Falta de tempo e diversas ocupações fizeram com que não conseguíssemos marcar a conversa. Com certeza teria sido uma excelente entrevista, já que a Marina, além de bem humorada, inteligente e sensível, era uma das pesquisadoras mais dedicadas que eu conheci.

Pedalamos pela cidade algumas vezes, ela comentava sobre meu filho, falávamos da cidade que gostaríamos que fosse mais humana para todos. 

São lembranças que me consolam neste momento de luto. Hoje, por volta de 17 horas, muitos ativistas se reunirão na Praça do Ciclista e realizaremos uma bicicletada em sua homenagem, cobrando a punição do responsável pela tragédia.

Por você, Marina, continuaremos lutando pelas coisas bonitas dessa vida, como ver mais gente ocupando a cidade com música e gargalhadas. Queremos ruas que acolham tanto quem caminha a passos rápidos, como quem precisa de bengalas ou quem engatinha.

Nunca te esqueceremos Marina, e por sua história pedalaremos ainda mais.

 

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