Brasileira radicada na França ensina mulheres refugiadas a pedalar

Brasileira radicada na França ensina mulheres refugiadas a pedalar

Por meio da associação Cycl'Avenir, a ciclo-empreendedora Fernanda Hinke promove a mobilidade e reinserção social de mulheres em condições de fragilidade

Alex Gomes

30 de dezembro de 2021 | 13h01

Além de veículo sustentável que promove o bem-estar, para muitas pessoas a bicicleta também é recomeço de vida. Essa é a inspiração de uma brasileira que vive em Paris e usa bikes para mudar a vida de mulheres refugiadas.

Fernanda Hinke, ciclo-empreendedora que vive na Cidade Luz desde 2011, criou junto a mais três profissionais a associação Cycl’Avenir, voltada exclusivamente a ensinar mulheres exiladas a pedalar.

As ações foram colocadas em prática em 2021, entre os meses de abril e outubro. Além de favorecer a mobilidade, a entidade também auxilia o aprendizado da língua e cultura francesa e promove a sociabilidade, com a recuperação da autoestima das mulheres e a possibilidade de inserção profissional.

As atividades são organizadas em três etapas: um ciclo de aprendizado, com aulas para desenvolver o equilíbrio e aprender a condução; um ciclo de aperfeiçoamento, com giros pelas ruas da cidade; e um ciclo cultural, no qual as aprendizes passeiam e aprendem mais sobre os cartões postais de Paris.

Pelo menos 40 mulheres participaram de todas as etapas. Na conclusão, podem comprar uma bicicleta usada e equipamentos de segurança, como cadeados, capacetes, coletes refletores e um kit de luzes. Os valores estão bem abaixo dos aplicados no mercado. A bicicleta é oferecida por cerca de 25 euros, cerca de um quarto do valor comercializado em lojas da cidade.

Uma das beneficiadas pelo programa é a nigeriana Onyeaghala Blessing Ada, 28 anos, que fez as aulas entre abril e outubro de 2021.

Por questões de segurança, deixou para trás o país, passou pela Itália e desde 2018 vive na França. Seu atual desafio é obter as documentações para a permanência no país.

Com a bicicleta, o dia a dia de Ada tornou-se mais fácil, não apenas graças a maior agilidade nos deslocamentos como na expansão de seu círculo de amizades. “Pedalar me faz sentir bem. Me sinto confiante, segura e acolhida circulando em Paris”.  

O aprendizado também foi um marco na história pessoal de Ada: ela foi a primeira mulher da família a pedalar. Entusiasmada, pretende não ser a última, com planos para o futuro de sua filha, a pequena Mirabel, com 9 meses. “Assim que ela estiver maior, será minha companhia nas pedaladas.”

 

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