Bike: a máquina da paz

Bike: a máquina da paz

Pedalar em São Paulo é perceber as pessoas e a cidade

Alex Gomes

23 Novembro 2015 | 11h19

Brinquedo, meio de transporte, ferramenta política, instrumento de lazer… algumas das várias definições para um objeto que cada vez mais é assunto na cidade: a bicicleta. Mas como é possível que algo feito basicamente de algumas peças de metal, simples a ponto de poder ser montado em casa, possa ser o foco de tanta paixão e fúria?
O fato é que, a cada dia, mais paulistanos decidem se locomover sobre duas rodas, como mostram as pesquisas e os relatórios de entidades e do poder público. Você mesmo já deve ter percebido isso. Tenho certeza de que entre seus amigos há alguém que decidiu pedalar por aí.
É para explorar esta cidade das bicicletas que nasceu este blog, o “São Paulo na bike”. Neste espaço, falarei sobre a experiência de pedalar na capital e as várias descobertas que faço girando pelos quatro cantos da metrópole. Uma dessas descobertas é que a bicicleta leva a conhecer muita gente. Não tem como pedalar e não interagir. Da criança que olha encantada, achando aquilo quase uma mágica, ao idoso que interrompe seu trajeto para contar que essa revoada de bikes o faz lembrar de uma São Paulo antiga e cheia de boas recordações.
Por isso, acredito que era nessa função socializante da bicicleta que o poetinha  pensava quando, ao compor o poema “Balada das Meninas de Bicicleta” chamou a magrela pelo termo que está no título deste texto.
 Viva Vinicius. Viva a São Paulo das bicicletas, a São Paulo da paz.
 
“Bicicletai, meninada 
Aos ventos do Arpoador 
Solta a flâmula agitada 
Das cabeleiras em flor 
Uma correndo à gandaia 
Outra com jeito de séria 
Mostrando as pernas sem saia 
Feitas da mesma matéria. 
Permanecei! vós que sois 
O que o mundo não tem mais 
Juventude de maiôs 
Sobre máquinas da paz” 
(Vinicius de Moraes)