Após vandalismo, ciclovia na zona leste é invadida por carros

Após vandalismo, ciclovia na zona leste é invadida por carros

Pista foi recoberta por tinta preta e placas com proibição de estacionar foram encobertas

Alex Gomes

01 Agosto 2018 | 08h42

Uma ciclovia na zona leste da capital encontra-se coberta por tinta preta e com suas placas de sinalização pichadas. Localizada na avenida Milene Elias, em Ermelino Matarazzo, o trecho é utilizado por ciclistas para acesso a centros comerciais da região e importantes locais de transporte público, como a estação Comendador Ermelino da CPTM.

Questionados em audiência pública, representantes da prefeitura regional de Ermelino Matarazzo afirmaram que o trecho foi vandalizado. Houve uma tentativa de remover a tinta preta, porém sem sucesso.

Quem pedala no local relata momentos de tensão. ‘Os carros passaram a invadir ainda mais a ciclovia. Não há mais elementos visíveis que mostrem que ali é o espaço do ciclista’, afirma João Alexandre, de 37 anos. Ele utiliza o trecho todos os dias para ir ao trabalho.

Placa com indicações ao ciclista encoberta

Para pressionar o poder público, Alexandre envia as denúncias para o site da prefeitura e mantém um canal no Youtube no qual publica vídeos com cenas de desrespeito às ciclovias da região.

Questionada pelo blog, a Companhia de Engenharia de Tráfego – CET afirma que está desenvolvendo projeto de sinalização para manutenção da pintura de solo na ciclovia e recolocação das placas de parada e estacionamento. O órgão não respondeu sobre prazo para a realização dos serviços.

Placa de proibição de estacionar encoberta

Quanto a limpeza do trecho, necessária para início dos serviços, a CET afirma que é responsabilidade da prefeitura regional de Ermelino Matarazzo. O blog contatou a Secretaria de Comunicação da Prefeitura e até o fechamento da matéria não recebeu uma resposta sobre a questão.

Manutenção precária e riscos

Ações de vandalismo como essa juntam-se a outros problemas que agravam a situação das ciclovias da capital. Desbotamento da pintura do piso, buracos e ausência de serviços de limpeza e zeladoria são queixas frequentes dos ciclistas. Apesar de terem sido previstos R$ 34 milhões para manutenção de ciclovias nos orçamentos municipais de 2017 e 2018 (gestão Doria/Covas, do PSDB), somente R$ 283 mil reais foram gastos pela CET em 2017 na readaptação da ciclovia da R. Libero Badaró, no centro, que teve a largura reduzida para a criação de uma faixa de estacionamento. As cifras foram obtidas via Lei de Acesso à Informação pela Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo – Ciclocidade e divulgadas no portal Bike é Legal.

Para os próximos dias há a expectativa de apresentação do novo plano cicloviário da capital. Entretanto, entidades ligadas a bicicleta afirmam que o documento foi elaborado sem ouvir e considerar as necessidades de quem pedala. ‘O novo plano não passou por nenhuma câmara técnica e nem pelas associações ligadas a mobilidade ativa. Foi feito a portas fechadas, sem a participação dos maiores interessados no assunto: os ciclistas’, diz Aline Cavalcante, diretora da Ciclocidade.

A Câmara Temática da Bicicleta, grupo ligado ao Conselho Municipal de Trânsito e Transportes da Prefeitura de São Paulo, divulgou uma carta aberta em que relata suas preocupações com o novo plano cicloviário e as dificuldades encontradas em dialogar com o poder municipal. 

Outra má notícias para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, turismo ou lazer na capital é o aumento do número de mortes de ciclistas. Em 2017 houve um aumento de 48% em relação a 2016, conforme o Infosiga, banco de dados do governo estadual.

 

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