Um ano depois da tragédia que devastou SC, ainda há 24 mil pessoas sem casa

Estadão

22 de novembro de 2009 | 03h00

Por Rodrigo Brancatelli

Um ano da tragédia, um ano DE tragédia.

A catástrofe que começou no dia 22 de novembro do ano passado em Santa Catarina e que deixou 137 mortos teima em não passar para milhares de famílias catarinenses. Exato um ano depois, ainda há 9.600 pessoas desabrigadas e outras 14.400 desalojadas – que vivem de favor na casa de amigos ou em abrigos públicos em condições longe de serem as ideais. E ainda há duas pessoas que nunca foram encontradas pelas equipes de salvamento, uma espécie de símbolo de uma tragédia que ainda não teve uma conclusão.

FOTO: Clayton de Souza/AE
Famílias se abrigam em salas improvisadas com placas de madeiras em um galpão na periferia de Blumenau

A lama secou, o mato cresceu, as câmeras de TV se foram e o comércio retomou suas atividades. Mas o dinheiro do governo federal para a reconstrução das residências ainda não é visto em Santa Catarina. Apenas cerca de 200 casas foram erguidas, a maioria em Blumenau.

As famílias de Larissa Schawanbach, de 11 meses, e de Erna Cypriano, de 79, ainda não puderem nem mesmo fazer um funeral e enterrá-las, uma vez que os bombeiros abandonaram as buscas sem encontrar os corpos. Quando voltei a Santa Catarina há cerca de seis meses para reencontrar os personagens que fizeram parte da tragédia de novembro do ano passado, percebi que isso obviamente não impediu que o trabalho continuasse a ser feito por voluntários, vizinhos e parentes, uma procura doída pelos entes queridos.

FOTO: Clayton de Souza/AE
Juliano Marthendau procura o corpo da filha Larissa , no Morro do Baú, na cidade de Ilhota

“Tudo o que queremos é fazer um funeral”, disse Adelírio Cypriano, que, além da mãe, Erna, também perdeu o padrasto. “É um aperto no coração muito grande”, completa Juliano Martendal, que frequentemente aluga um trator, coloca garrafas de água e sanduíches dentro de uma mochila das Chiquititas que pertenceu à sua filha Larissa e ruma até o local do soterramento para procurar pelo corpo da menina. “Preciso encontrar nem que seja só um ossinho para poder ter descanso.”

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: