“Quem consegue viver com R$ 5.000 por mês?”, indaga presidente da Câmara de SP

Estadão

11 de dezembro de 2009 | 20h02

FOTO: Nilton Fukuda/AE

Por Diego Zanchetta

Uma declaração dada pelo presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR), na quinta-feira à noite, no momento em que tentava convencer os colegas a votarem o aumento dos salários do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para mais de R$ 23 mil e de seus 28 secretários para R$ 19,1 mil, gerou indignação entre dezenas entidades da sociedade civil que acompanham o trabalho do Legislativo. Rodrigues perguntou aos colegas se alguém conseguiria sobreviver com R$ 5.000 por mês, o atual salário dos secretários. O vereador disse que não conseguiria nem pagar os estudos dos filhos se ganhasse o salário.

“Com R$ 5.000 por mês eu não teria nem conseguido estudar meus filhos”, afirmou o vereador. “A senhora Mara Gabrili, já que foi secretária, conseguiria viver com R$ 5.000 por mês?”, indagou Rodrigues do alto da tribuna de presidente, na tentativa de constranger a colega tucana que se posicionou contra o aumento.

Lideranças de organizações não-governamentais (ONGs) repudiaram a declaração do presidente feita no mesmo dia em que o Legislativo aprovou um bônus de R$ 883 para os servidores da Casa e a contratação, por R$ 17 milhões anuais, de uma agência de publicidade. “Eu não sei em qual planeta os vereadores vivem. Eles aumentam o IPTU, criam bônus, nova diretoria de comunicação e ainda dizem que um salário de classe média alta não dá para viver. Isso só mostra que os vereadores realmente não conhecem os problemas e anseios da população”, criticou Lucila Lacreta, coordenadora do Defenda SP.

No Campo Limpo, distrito da zona sul onde Rodrigues mantém reduto eleitoral, a renda média mensal é de R$ 932. A região também é a campeã em carência de professores na capital paulista. Segundo informações da Secretaria Municipal da Educação, em 2008 deixaram a rede de ensino 471 docentes, enquanto em 2007 o número foi de 200. No mês passado, 67% da demanda por professores no ensino fundamental se localizava na região onde Rodrigues tem domínio político e indica obras a serem realizadas pela subprefeitura.

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