Ontem, caos no trânsito gerou prejuízo de R$ 4,65 milhões

Estadão

09 de dezembro de 2009 | 11h29

FOTO: Marcio Fernandes/AE

Por Eduardo Reina

O custo do caos de ontem no trânsito somente na cidade de São Paulo é de pelo menos R$ 4,65 milhões, referentes a perdas financeiras com engarrafamentos, combustíveis, poluição, horas não trabalhadas e produtividade, levando-se em conta 12 horas de congestionamentos provocados pela chuva e inundações. É dinheiro suficiente para se construir cinco escolas de ensino médio. Não se levou em conta nessa estimativa os prejuízos e perdas materiais provocadas pela água. O cálculo das perdas está baseado em estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que calculam perdas anuais de R$ 34 bilhões com os congestionamentos sem fim. Ontem, a cada hora parada, o relógio dos custos somava R$ 388,1 mil perdidos, ou R$ 6.468,3 por minuto.

Segundo cálculos do professor Marcos Cintra, da FGV e secretário municipal do Trabalho da Prefeitura de São Paulo, a paralisação no trânsito aponta para 3.492.000 trabalhadores ociosos por hora na capital. O estudo “Os custos dos congestionamentos em São Paulo” foi concluído em 2008. Ele estima que só as perdas geradas por horas não trabalhadas em um ano sejam da ordem de R$ 26.634.269.801,00.

Para estimativas do custo adicional de combustível causado pelos congestionamentos foi adotada a hipótese de uma distância média de 30 quilômetros percorrida diariamente por automóveis durante 212 dias – 260 dias úteis menos 48 dias de rodízio – e o preço da gasolina de R$ 2,38 por litro. No caso dos ônibus considerou-se um percurso médio de 180 quilômetros por dia durante 300 dias e uma média de 70 pessoas transportadas por viagem. O custo do diesel foi estimado em R$ 1,89 por litro. O custo relacionado à poluição se refere aos seus reflexos sobre a saúde das pessoas. São despesas impostas à sociedade por conta dos efeitos dos poluentes sobre o organismo da população como doenças respiratórias, alergias, irritações de órgãos entre outros.

Em ambos os casos foram comparadas situações sem congestionamento e com lentidão. Para os carros considerou-se a hipótese de uma velocidade média de 50 km/h e para os ônibus de 30 km/h, em situação de ausência de congestionamento, nos três anos em consideração. Portanto, destaca Cintra, as perdas com as horas paralisadas ontem podem ser muito maiores.

O economista faz uma comparação entre São Paulo e a cidade de Nova York para exemplificar como a ocupação descontrolada e concepção urbanística diferenciada e estudada compromete a mobilidade das pessoas. “Vale uma comparação de São Paulo com a ilha de Manhattan, em Nova York. Na capital paulista, são 1.509 km², por onde circulam quase 6 milhões de veículos, ou seja, cerca de 4 mil veículos por km². Em Manhattan, com área de 87,5 km², circula 1,9 milhão de veículos, ou 22 mil carros por km². Mesmo tendo densidade de veículos 4,5 vezes maior, os congestionamentos lá são bem menos intensos. Os veículos ocupam de maneira mais ou menos homogênea toda as vias da ilha, fazendo o trânsito fluir por toda a superfície com mais velocidade”, mostra o estudo.

Os túneis Ayrton Sena, Jânio Quadros, Faria Lima e Rebouças e a ponte estaiada no Morumbi mais de R$ 3 bilhões, “mas não geraram benefícios significativos para a circulação de pessoas e de cargas”, critica. Caso esses recursos tivessem sido aplicados, por exemplo, na construção de 80 pontes sobre os rios Pinheiros e Tiête e/ou na interligação de vias paralelas às marginais, “a cidade teria hoje um sistema revascularizado que minimizaria os quilométricos congestionamentos verificados na cidade”, observa.

Todo esse problema é chamado de “custo São Paulo”, que pressiona dramaticamente o “custo Brasil”. São cerca de R$ 27 bilhões que se deixa de produzir somados aos R$ 6,5 bilhões provenientes das deseconomias externas do excessivo número de veículos em circulação, refletidas no aumento do consumo de combustíveis, na maior emissão de poluentes e na elevação do custo do transporte de cargas.

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