Mortos, um risco ambiental

Estadão

30 de outubro de 2009 | 20h38

Por Diego Zanchetta

Os cemitérios representam um risco ambiental grave pouco discutido na mídia e pelas autoridades. Nem mesmo os “ecochatos” que ficam falando o tempo inteiro mesmices sobre contaminação de praias e destruição de florestam tocam no assunto. A verdade é que o necrochorume produzido pelos corpos pode contaminar um lençol freático e, dessa forma, criar um risco de contaminação – por exemplo, para prédios vizinhos que captam água em poços. Em São Paulo, a Justiça chegou a suspender em março deste ano a obra de um cemitério em Pirituba pelo risco de o empreendimento ser instalado próximo de uma área de preservação, o Parque do Toronto, na zona oeste.

Uma interessante publicação lança luz ao assunto ainda nebuloso. Os autores Fernanda Felicioni, Flavio Andrade e Nilza Bortolozzo alertam para a negligência na operação de cemitérios públicos e privados no livro A Ameaça dos Mortos. A população de baixa renda que faz perfurações em poços artesianos é a mais ameaçada com a falta de controle sobre a destinação dos cadáveres humanos. O livro fala também sobre uma pequena cidade do Paraná que se tornou o primeiro município brasileiro a adotar o sepultamento ecológico. Vale conferir até pela novidade do assunto.

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